Cheguei meu nego
Deixa eu tomar assento
Venho de longe, meio cega
Açoitada com a força do vento
Vim galopando em trovoada e garoa
Minha homenagem hoje é oração
Varei madrugadas e estou de boa
A ti me rendo meu doce torrão
Valeu a pena toda correria
Agora serena e sem idolatria
Te presto meu culto sem apologia
O tempo já domou minha euforia
Cresci e assim aquebrantou a afoiteza
A idade me trouxe visão e clareza
Ainda consigo ver tua beleza
Em meio às agressões a natureza
Tiro meu veú e despida de pudor
Mergulho nos rios, embrenho na mata
Ao azul de teu céu presto meu louvor
Quem te ama respeita, zela e trata.

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