Chico Porto o orador perpétuo da Nova Euterpe.
Nos tempos mais remotos, os partidários de uma banda chamavam os partidários apaixonados da outra de “cavalos”. Cada banda tinha os seus “cavalos”.
Eram os fãs que acompanhavam a banda aonde ela fosse. Assistiam os ensaios, tomavam parte em todas as excursões e retretas, aplaudindo, vibrando e até marchando atrás das bandas nas passeatas.
Chico Porto foi “cavalo” da Nova Euterpe. Chico Porto se orgulhava de ser “cavalo” da Nova Euterpe.
Assim como Chico Porto, muitos outros também se orgulhavam em ser “cavalos” das bandas. Na Comercial, Chico Nunes, por muitos anos seu presidente, foi um dos “cavalos” mais conhecido.
Chico Porto não perdia ocasião de fazer um discurso. Na alegria, na tristeza, em qualquer oportunidade, Chico Porto sempre se apresentava e fazia seu discurso. Discurso que começava sempre pelo bordão ... Senhores ...
Pois bem, em 1934 a Sociedade Musical Nova Euterpe foi pela primeira vez até o Recife. Foi participar das festividades de posse do novo governador, dr. Carlos de Lima Cavalcanti.
No palanque oficial, defronte ao Palácio das Princesas, a Euterpe executou vários números, inclusive um maracatu de autoria do maestro Severino Ramos, que era o regente.
O maracatu foi repetido seis vezes, a pedidos inclusive de maestros de outras bandas também presentes.
É que o maracatu tinha uma originalidade na época. Era a marcação nos chocalhos, um maior e outro menor.
O pessoal da banda ficou tão comovido que Chico Porto, o orador de todas as épocas, o maior bebedor de cervejas da região, o homem que nunca tinha perdido um discurso, quis falar agradecendo, fez força, mas não pôde ... Estava engasgado de emoção!
*O artigo não expressa necessariamente a opinião deste blog.
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