03/12/22

A CRÔNICA DE ZÉ BREDCHÉ por Helmo Albuquerque

Zé Bredché é uma boa pessoa, bom cristão, bom vizinho, pai carinhoso, marido exemplar, profissional dedicado, gosta de fazer aquele churrasco e convidar parentes e amigos, jogar futebol as terças-feiras, ir à praia e curtir uma boa música; na igreja não perde reuniões e sempre se pode contar com ele, enfim, Zé Bredché é uma ótima pessoa. 

Zé Bredché acredita que é possível fazer do mundo um lugar melhor pra viver e que o mundo seria bem melhor sem os comunistas, os umbandistas, os gays, os judeus, ciganos e todo tipo de adorador de imagens. 

No início, em sua mente é só um pensamento, uma utopia de um mundo completamente cristão e de supremacia branca. 

Nessa utopia, brancos não casam com negros, nem com judeus, asiáticos, ciganos ou índios, é cada um na sua raça! Ele crê que uma nação assim é abençoada por Deus e é feliz! 

Mas é só uma utopia.., até o momento em que apareceu um líder e lhe disse que "para que a nação ou o mundo seja um lugar melhor pra viver é necessário exterminar todos os "impuros" e "diferentes"; nesse exato momento, Zé Bredché é despertado para agir em favor de um mundo melhor, pois encontrou um líder que o inspirou a crer que é possível. 

Agora, o homem gentil, bom cristão e excelente pai de família se tornou capaz de torturar e até matar em prol de "um mundo melhor" e mesmo assim dormir maravilhosamente bem, pois as coisas que fez foi para o bem da humanidade. 

Zé Bredché é um nazista e nem sabe!



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