A educação brasileira ainda apresenta grandes preocupações para se chegar a uma sociedade letrada. O número de analfabetismo no Brasil é muito alto e se tratando de Nordeste, ainda é maior e no Agreste Centro Norte não é muito diferente. Dados do IBGE mostram que 900 mil pernambucanos são atingidos pelo analfabetismo absoluto. Em Pernambuco, a taxa de analfabetismo entre a população de 15 anos ou mais foi de 11,9% em 2019, mesmo percentual do ano anterior, e o dobro da média brasileira, de 6,6%.
O indicador aponta que 898 mil pessoas no estado não sabem ler nem escrever um recado ou bilhete simples. Dados foram revelados pelo módulo de Educação da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2019. No estado, são 56,4% das pessoas que não concluíram a etapa dos estudos formada pelos ensinos fundamental e médio.
O percentual de Pernambuco supera o número nacional, de 52,6% das pessoas com 25 anos ou mais que não concluíram o ensino básico em todo o país. Ciente desses dados e com o agravante da pandemia é de extrema urgência implementar uma política pública para alfabetização nas redes municipais do estado de Pernambuco.
A política econômica de redução de gastos e atuação mínima do Estado no setor educacional afetou diretamente a Educação de Jovens, Adultos e Idosos. De caráter minimalista, a política de EJA se baseou em ações voltadas, essencialmente, para a alfabetização numa perspectiva "clientelista e compensatória", de acordo com Paiva (2006, p. 529).
O pouco comprometimento do Estado em ser o indutor da política na efetivação do direito à educação e a quase invisibilidade da EJA, apresentou-se como receita seguida à risca pela sociedade política por muitos anos, nos anos 90 a 2015 houve um avanço na modalidade, mas nos últimos anos vem retrocedendo, especificamente de 2016 aos dias atuais e a pandemia favoreceu a isso. Alfabetizar é muito mais do que ensinar a ler e a escrever porque o sujeito alfabetizado, além de codificar e decifrar palavras, frases e textos, interpreta, considerando que a “sua” interpretação é uma dentre as muitas possíveis.
O sujeito no processo de alfabetização vai fazer a leitura de mundo a partir de sua realidade fazendo parte desse processo de conhecimento que não lhe é proposto, mas sobretudo construído com ele.
O sujeito alfabetizado é aquele que escreve e lê proficientemente, inclusive textos complexos. Mas, além de realizar leituras complexas, ele percebe o mundo em seu entorno tecendo sua opinião, não fica neutro, posiciona-se, tem um posicionamento político e social da realidade que vive. Ler um singelo bilhete com poucas frases e palavras é bem diferente de ler os trabalhos de um estudioso como Paulo Freire, por exemplo, ou, ainda, ler como se faz instalação de um aplicativo no celular é diferente de ler um texto literário.
Diferentes níveis de alfabetização estão em jogo nesses exemplos.
O sujeito alfabetizado lê, interpreta, atribui e produz sentidos ao que leu para aplicação em sua vida. Com esta compreensão os membros do Fórum Regional da EJA do Agreste Centro vêm solicitar aos governantes municipais e secretários (as) de educação dos dezesseis municípios que sejam criadas turmas regulares de alfabetização de adultos em cada município com o objetivo de diminuir esse índice de analfabetismo, no Agreste Centro Norte, que é tão alarmante como em Pernambuco e Região Nordeste.
Não havendo um investimento na educação dessas pessoas, sem ser através de programas paliativos de alfabetização, o número não será diminuído. Temos certeza que, diante da manifestação pública e indignação, os senhores governantes tomarão providências para solucionar esse problema e oportunizar uma educação referenciada socialmente para os que não tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever.
Caruaru, 10 de novembro de 2022.
Atenciosamente, Membros do Fórum EJA Regional do Agreste Cento Norte

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