01/02/23

CASA DA CULTURA JOSÉ CONDÉ – CINQUENTA ANOS DE RESILIÊNCIA por Walmiré Dimeron

Casa da Cultura José Condé. Foto: Alcir Lacerda.

Há exatos 50 anos, no dia 31 de janeiro de 1973, Caruaru ganhava um moderno e ousado equipamento cultural. A ideia nasceu em 1971, durante visita surpresa que o então prefeito ANASTÁCIO RODRIGUES fez a São José do Rio Preto-SP, para prestigiar o caruaruense Vital Santos e seu grupo, que ali se apresentariam com um espetáculo teatral.

Anastácio Rodrigues, João Condé e Souza Pepeu no canteiro de obras da Casa da Cultura José Condé. CANTEIRO DE OBRAS DA CASA DA CULTURA JOSÉ CONDÉ. Dentre as mulheres, Carmita e Thereza Condé (esposa e filha de João Condé, respectivamente).

Em passeio pela cidade, conheceu a Casa da Cultura local, a primeira erguida no Brasil, em 1968. Encantado, voltou com a ideia fixa de dotar Caruaru também de um equipamento semelhante. E assim o fez. Com dificuldades, orçamento minguado, o prefeito que passaria à história como o que mais atenção dispensou à cultura, fez erguer, com recursos municipais próprios, no prazo recorde de um ano, a Casa da Cultura José Condé, a segunda construída no Brasil especialmente para essa finalidade.

Elysio Condé, Anastácio Rodrigues e sua esposa Leuracy, Maria Luiza Condé, Luisa Maciel e Marcos Vilaça inauguram a Casa da Cultura José Condé - 31.01.1973. Foto: Alcir Lacerda, acervo Anastácio.

“A Casa da Cultura será o cérebro de Caruaru” ...repetia Anastácio, enfaticamente. 

Durante anos, o projeto modernista e ousado do arquiteto pernambucano de Surubim, Jonas Arruda, com a invejável participação de Abelardo Rodrigues, serviu como efervescente centro cultural, abrigando a Biblioteca Municipal, com a fabulosa coleção de Álvaro Lins e de José Condé – hoje reduzidos a cerca de um terço do acervo original, obras remanescentes do antigo Museu de Arte Popular (cuja demolição motivou e norteou o projeto da Casa da Cultura). Acervos outros ligados à memória afetiva da cidade, também encontraram abrigo ali, além eventos teatrais, artísticos, feiras e mostras.

Aspecto da inauguração da Casa da Cultura José Condé - 31.01.1973. Foto: Alcir Lacerda, acervo Anastácio.

Conheci a Casa no final dos anos 70 e começo dos 80, quando comecei a frequentá-la, fervilhante de turistas durante a Semana Santa, depois, me “enfurnando” na Biblioteca e como aluno do curso de pintura.

Elysio e Maria Luiza Condé ladeiam o busto de José Condé. Inauguração da CCJC - 1.01.1973. Foto: Alcir Lacerda, acervo Anastácio.

Com problemas crônicos de infiltração, instabilidade estrutural, a CCJC foi aos poucos sendo negligenciada, com “reformas” insipientes, que não passavam de “caiação de paredes”, tornou-se um quase estorvo. “Reinaugurada” outras tantas vezes, foi colecionando problemas, isolada cada vez mais, principalmente após a transferência da Feira, em 1992. 

Casa de Cultura de São José do Rio Preto, inspiradora da Casa da Cultura José Condé.

O projeto inicial de Anastácio, que antes havia conseguido a doação daquela imensa área (cerca 133 mil m²), era erguer ali, o “Centro Cívico 18 de Maio”, com as sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário; museu; parque; centro de recreação, dentre outros modernos equipamentos. Tirou do papel a Casa da Cultura e o “Centro da Juventude Josepha Coelho, (com piscinas para a população).

Casa da Cultura José Condé - Foto: Alcir Lacerda, acervo Anastácio.

Hoje, a Casa está quase despida de seu recheio original. Até o pedestal e o letreiro originais do belíssimo busto de José Condé (esculpido por Abelardo da Hora) desapareceram. 

Busto de José Condé com o pedestal e o letreiro original, hoje desaparecidos.

Ah, parte da Casa está abrigando (pasmem), o que restou do Mercado de Farinha...

O tempo lhe foi implacável, mas, mesmo assim, obrigado, ANASTÁCIO.

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