Essa foto de 1902, de autoria de Nôzinho de Freitas, registra entre a Igreja Matriz
de Nossa Senhora das Dores e o primitivo prédio do Paço Municipal (Palácio do Bispo)
ainda somente térreo, parte da coberta daquilo que foi a primitiva CASA DE CARIDADE, o
nosso primeiro hospital.
Quando da construção do Jardim Rosa e Silva (primeiro nome do Jardim Siqueira
Campos) em 1908, o que ainda existia da antiga da Casa de Caridade foi demolido, dando
lugar ao Jardim da Igreja, onde, anualmente, nas décadas seguintes, durante as festas de
Natal era armado um belo presépio.
A história da Casa de Caridade, começou no final da década de 1830, como consequência de desencontros entre um grupo de católicos influentes e abastados do povoado
com descendentes de José Rodrigues de Jesus, desde que consideravam a igrejinha de
Nossa Senhora da Conceição fosse uma capela privada, um bem de família.
Dessa politicagem, desses desencontros surgiu em 1840 a confraria de Nossa Senhora das Dores. Ainda naquele ano, a Irmandade dirigida pelo professor, comerciante
e construtor João Izidro Gonçalves da Cruz, legalmente nomeado no dia 06/12/1840,
fez funcionar na atual Praça Henrique Pinto, uma CASA DE CARIDADE - misto de hospital e casa dos pobres - sob a proteção de Nossa Senhora das Dores. Era um local onde se recolhiam mendigos, escravos doentes e prestados os socorros médicos possíveis para a
época. Anexo ao hospital, existia um pequeno ORATÓRIO sob a mesma invocação.
Para a administração da Casa de Caridade, cujos estatutos foram aprovados pelo
bispo diocesano de Olinda ainda em 1840 e cometido o ato da sua benção solene pelo
vigário da freguesia de São José dos Bezerros, por provisão episcopal de 10/05/1841,
foi escolhido o próprio professor João Izidro Gonçalves da Cruz. Pelos serviços prestados, a Casa de Caridade recebeu, desde sempre, o apoio da comunidade e autoridades
de Caruaru.
Foi a partir do oratório que o frei capuchinho, Eusébio de Salles, em missões religiosas no ano de 1846 pela região, sugeriu ao professor João Izidro a construção da
igreja de Nossa Senhora das Dores, cuja pedra fundamental o frei ainda benzeria no dia
01/11/1846.
Por outro lado, a versão que o hospital teria sido fundado pelo vigário Antônio
Freire de Carvalho não procede, embora como piedoso sacerdote, o Vigarinho, também
conhecido como o “Pai dos Pobres”, teve forte atuação na Casa de Caridade, porém, a
bem da verdade, somente a partir de quando aqui chegou no ano de 1856. A real história
da Casa de Caridade, precisa ser definitivamente estabelecida, o grande responsável por
sua implantação foi mesmo o professor João Izidro Gonçalves da Cruz, hoje, injustiçado
na nossa história, um mero desconhecido.
Em meados da década de 1880 a Casa de Caridade recebia alguns recursos do orçamento do estado, a título de “Socorros de Beneficência”, afora algumas participações
em valores, oriundos da extração da loteria estadual, isso na época que o cel. Neco Porto
era deputado provincial, que muito contribuiu para liberação desses recursos.
É provável que os repasses dos recursos do ano de 1884 estivessem ocorrendo em
valores menores ou demorados, desde que em 11/03/1885, em petição encaminhada à
Assembleia Provincial, a Irmandade de Nossa Senhora das Dores requeria que fosse restabelecido os compromissos prometidos.
Em 05 e 06/07/1886 aparecem novas notícias de emendas aprovadas para realização de obras civis na Casa da Caridade de Caruaru, com recursos provenientes das
extrações das loterias.
Finalmente, em 1895, afora a subvenção oficial, foi autorizada a quantia adicional
de 6:000$000 para conclusão das obras da Casa de Caridade.Em 1897 as obras da nova Casa de Caridade, sob a responsabilidade executiva do
mestre de obras Chiquinho Vasconcelos, estavam em bom ritmo, e o prédio ficando bonito e agradável, o cel. Neco Porto, já na condição de prefeito, mudou sua destinação. O
novo prédio passaria a ser as instalações da sede da prefeitura, o Paço Municipal.
Por esse motivo, o orçamento estadual, para o ano fiscal de 1888, não mais contemplaria previsão de despesas para a Casa de Caridade. O nosso primeiro hospital foi
extinto.
O Paço Municipal foi solenemente inaugurado no dia 06/11/1898, no final do primeiro governo do cel. Neco Porto (foram 6 mandatos consecutivos), com a presença do
governador Joaquim Correia de Araújo, de várias outras autoridades e mais uma centena
de convidados, vindos do Recife, em trem especial.




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