28/02/23

O PRIMITIVO PAÇO MUNICIPAL 06/11/1848. por Hélio Fernando de Vasconcelos Florêncio

 Essa foto de 1902, de autoria de Nôzinho de Freitas, registra entre a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores e o primitivo prédio do Paço Municipal (Palácio do Bispo) ainda somente térreo, parte da coberta daquilo que foi a primitiva CASA DE CARIDADE, o nosso primeiro hospital. 
Quando da construção do Jardim Rosa e Silva (primeiro nome do Jardim Siqueira Campos) em 1908, o que ainda existia da antiga da Casa de Caridade foi demolido, dando lugar ao Jardim da Igreja, onde, anualmente, nas décadas seguintes, durante as festas de Natal era armado um belo presépio. A história da Casa de Caridade, começou no final da década de 1830, como consequência de desencontros entre um grupo de católicos influentes e abastados do povoado com descendentes de José Rodrigues de Jesus, desde que consideravam a igrejinha de Nossa Senhora da Conceição fosse uma capela privada, um bem de família. Dessa politicagem, desses desencontros surgiu em 1840 a confraria de Nossa Senhora das Dores. Ainda naquele ano, a Irmandade dirigida pelo professor, comerciante e construtor João Izidro Gonçalves da Cruz, legalmente nomeado no dia 06/12/1840, fez funcionar na atual Praça Henrique Pinto, uma CASA DE CARIDADE - misto de hospital e casa dos pobres - sob a proteção de Nossa Senhora das Dores. Era um local onde se recolhiam mendigos, escravos doentes e prestados os socorros médicos possíveis para a época. Anexo ao hospital, existia um pequeno ORATÓRIO sob a mesma invocação. Para a administração da Casa de Caridade, cujos estatutos foram aprovados pelo bispo diocesano de Olinda ainda em 1840 e cometido o ato da sua benção solene pelo vigário da freguesia de São José dos Bezerros, por provisão episcopal de 10/05/1841, foi escolhido o próprio professor João Izidro Gonçalves da Cruz. Pelos serviços prestados, a Casa de Caridade recebeu, desde sempre, o apoio da comunidade e autoridades de Caruaru. Foi a partir do oratório que o frei capuchinho, Eusébio de Salles, em missões religiosas no ano de 1846 pela região, sugeriu ao professor João Izidro a construção da igreja de Nossa Senhora das Dores, cuja pedra fundamental o frei ainda benzeria no dia 01/11/1846. Por outro lado, a versão que o hospital teria sido fundado pelo vigário Antônio Freire de Carvalho não procede, embora como piedoso sacerdote, o Vigarinho, também conhecido como o “Pai dos Pobres”, teve forte atuação na Casa de Caridade, porém, a bem da verdade, somente a partir de quando aqui chegou no ano de 1856. A real história da Casa de Caridade, precisa ser definitivamente estabelecida, o grande responsável por sua implantação foi mesmo o professor João Izidro Gonçalves da Cruz, hoje, injustiçado na nossa história, um mero desconhecido. Em meados da década de 1880 a Casa de Caridade recebia alguns recursos do orçamento do estado, a título de “Socorros de Beneficência”, afora algumas participações em valores, oriundos da extração da loteria estadual, isso na época que o cel. Neco Porto era deputado provincial, que muito contribuiu para liberação desses recursos. É provável que os repasses dos recursos do ano de 1884 estivessem ocorrendo em valores menores ou demorados, desde que em 11/03/1885, em petição encaminhada à Assembleia Provincial, a Irmandade de Nossa Senhora das Dores requeria que fosse restabelecido os compromissos prometidos.
Em 05 e 06/07/1886 aparecem novas notícias de emendas aprovadas para realização de obras civis na Casa da Caridade de Caruaru, com recursos provenientes das extrações das loterias.
Finalmente, em 1895, afora a subvenção oficial, foi autorizada a quantia adicional de 6:000$000 para conclusão das obras da Casa de Caridade.

Em 1897 as obras da nova Casa de Caridade, sob a responsabilidade executiva do mestre de obras Chiquinho Vasconcelos, estavam em bom ritmo, e o prédio ficando bonito e agradável, o cel. Neco Porto, já na condição de prefeito, mudou sua destinação. O novo prédio passaria a ser as instalações da sede da prefeitura, o Paço Municipal. Por esse motivo, o orçamento estadual, para o ano fiscal de 1888, não mais contemplaria previsão de despesas para a Casa de Caridade. O nosso primeiro hospital foi extinto. O Paço Municipal foi solenemente inaugurado no dia 06/11/1898, no final do primeiro governo do cel. Neco Porto (foram 6 mandatos consecutivos), com a presença do governador Joaquim Correia de Araújo, de várias outras autoridades e mais uma centena de convidados, vindos do Recife, em trem especial.

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