22/06/23

Oito anos após a ocupação, famílias do MTST/MPRU ganham direito a habitação

Se passaram 8 anos desde a primeira ocupação inicialmente com 50 famílias sem-teto (15 de abril de 2015), "Sonho que se sonha junto é realidade".

A tarde de hoje será uma data marcante na história de 192 famílias de Caruaru, que passam a ter acesso à moradia digna através do Programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, implantado pelo Governo Federal, na gestão do presidente Lula, ainda em seu mandato anterior. O evento solene acontece no próprio local do Conjunto Habitacional Residencial Severino Querino, que fica na Rua Imperial S/N, Vassoural, às 14 horas. Na oportunidade haverá a presença de representantes do Governo Federal, Estadual e Municipal e de lideranças dos Movimentos Sociais: Movimento Popular pela Reforma Urbana (MPRU), Associação de Apoio às Famílias sem Teto de Pernambuco (AAST) e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST/UNMP-PE). 

Desde a ocupação do terreno abandonado do DENIT, ainda na gestão de Queiroz, passando pela gestão de Raquel Lyra e agora Rodrigo Pinheiro, as famílias organizadas pelos movimentos enfrentaram ações de despejo e muita luta, mas cada gestão também deu sua parcela de contribuição para chegar onde o residencial chegou. FOTO: MTST

O empreendimento possui 192 unidades habitacionais, divididas em seis blocos, cada um com 32 apartamentos, sendo oito por andar, composto por quatro pisos. O residencial possui quadra, playground, salão de festas, salão de reunião e bicicletário.

UM POUCO DE HISTÓRIA DO MTST EM CARUARU

Quando não há diálogo ou cumprimento por parte das autoridades, as manifestações se fazem necessárias. FOTO: BPN

Em 1999 o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto de Pernambuco (MTST/PE) hoje filiado à União Nacional por Moradia Popular (UNMP), surgia com o objetivo de promover a luta pela moradia e organizar as trabalhadoras e trabalhadores urbanos nesta luta.

Ocupação na antiga CAGEPE (2016). Local ainda aguarda ser contemplada pelo Governo. Foto BPN.

Caruaru além de marcar na formação e concepção na linha de pensamento do movimento, ainda em 2000, se tornou também modelo quando ao longo dos 24 anos a conquista da moradia se tornou possível. Espalhando-se para outras cidades vizinhas.

Ao longo da história dos Movimentos Sociais, as Marchas são marcas históricas que levaram a muitas conquistas, uma delas ainda por acontecer: A REFORMA URBANA. FOTO: BPN

Mas no início foi de muita luta e resistência. Vigílias e protestos. Muitos, além de lágrimas derramaram sangue até chegar onde se chegou hoje. Começando na ocupação do Viaduto próximo ao Hospital Regional (o prédio ainda estava abandonado naquela época), em seguida a Vila Padre Inácio e depois indo para o Cedro, Girassol (CAIC), Alto do Moura, etc.

O Movimento se tornou adulto e amadureceu, nesses últimos anos mais difíceis para os movimentos, se manteve firme e cresceu mais. FOTO: BPN

Depois de uma década em Caruaru, a ocupação Che Guevara (Alto do Moura) tornou-se a primeira ocupação Sem Teto do interior de Pernambuco a ser contemplada pelo FINIS - Fundo Nacional de Moradia de Interesse Social. Passando a ser também um projeto modêlo onde os Sem Tetos são contratados para construir sua própria moradia, o que gera renda para as famílias, sendo 204 beneficiadas.
Antiga ocupação e atual Residencial Severino Querino. FOTO BPN
Em seguida, o MTST/PE também participou apoiando as ocupações em outros bairros do município e também expandiu pelo interior de Pernambuco. A mais recente conquista é essa ocupação do DNIT, com o MPRU (Movimento Popular pela Reforma Urbana) na ocupação que veio a se chamar Conjunto Habitacional Residencial Severino Querino. O MTST/UNMP-PE tem base social em quase 30 municípios de Pernambuco.
Durante a Pandemia o Movimento participou da arrecadação de alimentos para distribuir entre os mais necessitados. 

DIREITO A MORADIA DIGNA

Teoria e prática andam juntas. Sendo a moradia um direito fundamental à vida, a ausência desse direito é também ameaça aos direitos humanos. Famílias organizadas no MTST/UNMP-PE proporcionam através da mobilização social habitações de qualidade reduzindo o déficit habitacional e formando cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, podendo desembocar em outras pautas que avance se concretizando na cidade que queremos construir.

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