O Prado em Caruaru foi um esporte que teve muitos apaixonados. As corridas de cavalos atraiam mais que os jogos de futebol. O esporte bretão, como era mais conhecido, não merecia, no seu início, grandes atenções, os maiores divertimentos eram mesmo as cavalhadas e o Prado que atraiam velhos e moços, homens e mulheres. Nos anos mais distantes as corridas aconteciam nas pistas do Capim, do Vasco e no campo de futebol, onde hoje funciona a 22ª CSM (que depois foi o campo de futebol do Sport Club Caruaruense). Em qualquer lugar onde se anunciasse uma corrida, centenas ou milhares de pessoas estariam presentes, para torcer, aplaudir e, também, para apostar nos animais. O anúncio da inauguração do primeiro hipódromo de Caruaru, devidamente preparado para esse tipo de esporte, foi publicado, na edição nº 59 do jornal A PROVÍNCIA do dia 14 de março de 1905, notícia em anexo, que no dia 19 daquele mês realizar-se-ia a inauguração com grande festa do nosso hipódromo.
Como pode ser observado no anúncio, o prado possuia arquibancadas, bar, ensilhamento, casa de pule, todo cercado com zinco e funcionaria sob o nome de Sport Club Caruarú (nada a ver com o clube de futebol Sport Club Caruaruense). O acesso para a geral, na corrida inaugural, foi cobrado o valor de $500 (quinhentos réis) e arquibancada o valor de 1$000 (mil réis). O clube pertencia ao sr. João Gonçalves (mais conhecido como João Piston, por tocar esse instrumento na sociedade musical Comercial), observado na foto a seguir.
A título apenas de complemento, o senhor João Piston, além de esportista e músico, era também comerciante e foi também a primeira pessoa a completar de automóvel o percurso de Recife a Caruaru, isso no final do ano de 1922, ocasião que foi recebido na cidade por uma multidão entusiasmada, transforando a façanha em uma verdadeira festa popular.No entanto, aconteceu do tempo e do futebol causarem, no final da década de 1920, o encerramento das atividades turfistas do Clube em Caruaru.Posteriormente, no final de 1938 início de 1939, José Victor de Albuquerque, João Cursino, Pedro de Souza, Francisco Aniceto, José Carlos Florêncio, Manoel Vieira Florêncio, e Antônio Martins Pereira Neto, criaram o Jóquei Clube de Caruaru, com estatutos aprovados em Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 19 de janeiro de 1939 e registrados em fevereiro do mesmo ano no Cartório do coronel Leocádio Porto. A sociedade era tão importante e ciosa de suas responsabilidades, que não permitia a participação em sua Diretoria de “nenhum político” ocupando cargos administrativos em evidência no município. Essa entidade objetivava: “promover o desenvolvimento e melhoramento da espécie equina por meio de corridas e concursos hípicos; proporcionar aos sócios diversões e recreios que incentivem a convivência social” No entanto, essa sociedade, por falto de apoio popular, nesse novo período, não conseguiria ter vida longa, fechando rapidamente suas portas. Na década de 1970, mais uma tentativa, no Cajá, nas proximidades do Aeroclube de Caruaru, o presidente João Machado, daquela entidade, patrocinou corridas de cavalos, objetivando reviver o esporte equestre entre nós, movimentando a vida social do Aeroclube e relembrar sua época de criança em Belo Jardim, de onde é natural, quando se divertia com as corridas dos animais na localidade do “Cavalo Morto”, distrito daquele município. Todavia sem muito sucesso. O confrade Agnaldo Fagundes Bezerra, para o Diário de Pernambuco, edição nº 4 de 05 de janeiro de 1981, contando sobre as primitivas corridas, escreveu:
Aos domingos havia grandes corridas de cavalos, assistidas por numeroso público. O dinheiro corria a rodo nas mãos dos apostadores. Era no tempo das vacas gordas. Entre as corridas que ali se realizaram, uma marcou época: a da égua Bonina com o cavalo Mala-Veia. Para assistir a ela, veio gente de vários lugares: Belo Jardim, Cachoeirinha, Lajedo, Garanhuns, São Caetano e outras cidades. O ambiente tornou-se festivo. Bonina pertencia a gente graúda do Recife ou Paulista, e corria fama de ser imbatível. Quando entrou na raia estava feita uma rainha, enfeitada até com laços de fitas e ramalhetes de flores. As apostas eram muitas, e com usura, vez que Bonina era franca favorita. Deu zebra. Ou melhor deu Mala-Véia. O cavalo de Mané de Ana Branca (Manoel Pereira) saiu vitorioso. A alegria tomou conta do público. O dono do animal abraçado à sua cabeça, rindo e chorando dava-lhe banho de gasosa e champanhe. As bandas de músicas Comercial e Nova Euterpe completavam a alegria, tocando animadamente. As comemorações evoluíram, ganhando as ruas, os bares e hotéis da cidade. À noite, no Jardim Siqueira Campos, houve retreta e a bebedeira continuou no café de seu Umbelino. Cavalos que somaram vitórias: Zepelim, Beiço- Branco, Cachorrinho, Pombo-Roxo, Brinco de Ouro, Aviador, Cabano e, claro, Mala-Veia. Onde andarão? Correndo pelo pelas pradarias dos céus, feito Zumbis?




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