Confira uma minibiografia dos dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco:

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As Cantadeiras do Povo Indígena Pankararu

As cantantes da tribo indígena Pankararu, comunidade localizada no município de Jatobá, no Sertão de Itaparica, perpetuam a cultura oral do grupo de forma ritualística através de seus cantos. São mulheres que durante séculos fizeram e fazem soar as tradições ancestrais. A mestra sacerdotisa, detentora de saberes culturais originários orais, é conhecida em seu povo por Dona Dida. Aos doze anos de idade, recebeu a missão ancestral de ser a guardiã das cantantes, conhecida pela tradição da Boca Velha. Nela, as mulheres são preparadas ritualisticamente, de forma que uma mais velha cante com uma mais nova, representando assim as relações intergeracionais de transmissão do saber. Dona Dida é considerada a mestra anciã acompanhada de Dona Barbinha. Elas entoam todos os rituais sagrados como as promessas, as chamadas brincadeiras, como as do “Menino do Rancho”, e o Toré. Dona Dida e Dona Barbinha participam de todos os rituais, juntas, coletivamente, para isso precisam das bênçãos da mãe natureza como uma forma de proteção e força.

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Afoxé Alafin Oyó

Nascido oficialmente no dia 2 de março de 1986, em Olinda, o Afoxé Alafin Oyó é grande referência das expressões artísticas culturais afro-brasileiras de Pernambuco. Seus fundadores, que mantinham um estreito elo com o Movimento Negro Unificado (MNU), estabeleceram como objetivo do grupo a divulgação e perpetuação da cultura-religiosa, símbolo maior da cultura negra pernambucana. As letras de suas músicas clamam os sentimentos, as lutas, a religiosidade e a esperança do povo negro, embaladas ao envolvente e dançante ritmo Ijexá (Ketu). Sua indumentária faz referência às antigas cortes africanas. Toda essa herança cultural traduz-se na ginga do Balé Alafin Oyó e sua ancestralidade reside nas antigas Nações Africanas de Pernambuco. O Alafin é também popularmente conhecido como “O Afro das Olindas”.  A sede do grupo é Ponto de Cultura, pelo Ministério da Cultura, desde 2004, e frequentemente está envolvido em ações da Consciência Negra, além da participação em diversos festivais e eventos ao redor do Estado e do País.

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Reisado da Comunidade Quilombola do Saruê

Criada em 1965, o Reisado da Comunidade Quilombola do Saruê é um grupo de origem das antigas tradições dos reisados do sertão, mantendo a continuidade para novas gerações de brincantes no quilombo de Saruê, em Santa Maria da Boa Vista, Sertão do São Francisco. Além da brincadeira, o grupo tem como parte de sua história a luta quilombola pelo reconhecimento do território.

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Caboclinho Canidé de Goiana

Criado em 15 de julho de 1971, o Caboclinho Canidé de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, é um dos grupos mais antigos ligados à expressão cultural Caboclinhos, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, segundo o Iphan. Ao longo de sua existência, participou de vários concursos e recebeu medalhas de reconhecimento pela apresentação, tempo de atividade e tradição. Composta por homens e mulheres de diferentes idades, a agremiação confecciona seus trajes e transmite a outras gerações para outros brincantes.

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Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos

Em plena efervescência dos festejos do Momo, no dia 17 de fevereiro de 1947, um grupo de jovens saía pelas ruas e ladeiras do Sítio Histórico de Olinda, um dos berços do Carnaval pernambucano, carregando galhos de pitombeira e celebrando a temporada de folia. Dava-se início, assim, a um dos grupos mais emblemáticos da folia de Pernambuco, a Pitombeira dos Quatro Cantos. Difícil quem não conheça seu hino, composto por um de seus fundadores, Alex Caldas, que diz: Nós somos da pitombeira, não brincamos muito mal, se a turma não saísse, não havia carnaval [...]”. Sua sede, localizada na Rua 27 de Janeiro, em Olinda, é ponto de encontro semanal de foliões e foliãs. Hermes Cristo Neto (Herminho), assume o comando da agremiação que integra e fortalece a identidade cultural do Estado.]

Elimar Caranguejo/Secult-PE/FundarpeElimar Caranguejo/Secult-PE/Fundarpe

Assisão

Natural de Serra Talhada, Sertão do Pajeú, Assisão é conhecido como uma das referências mais notórias da manifestação cultural que ajuda a compor o Patrimônio Cultural Imaterial Matrizes do Forró. Intérprete e compositor, ele contribui para a continuidade na divulgação do forró tradicional por meio de suas apresentações e entrevistas em festas e mídias que têm grande alcance de público, não apenas em sua região, mas fora dela.

Morgana Narjara/Secult-PE/FundarpeMorgana Narjara/Secult-PE/Fundarpe

Coco de Roda Negras e Negros do Leitão da Carapuça

Leitão da Carapuça, comunidade quilombola localizada em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, abriga o Coco de Roda Negras e Negros do Leitão da Carapuça, com mais de cem anos de existência. Neto de um dos fundadores do grupo, o agricultor Sebastião José da Silva lidera a brincadeira, símbolo de resistência e tradição, cujos ensaios ocorrem semanalmente em sua casa. Formado por cerca de 20 pessoas, dentre as quais mulheres, homens e jovens, o Coco de Roda Negras e Negros do Leitão da Carapuça tem um disco gravado, e participam sobretudo de festivais que ocorrem no Sertão de Pernambuco.

Mestra Nilza Bezerra da Bonequinha da Sorte de Gravatá

Mestra Nilza Bezerra da Bonequinha da Sorte de Gravatá

Mestra Nilza Bezerra da Bonequinha da Sorte de Gravatá

Nilza Bezerra da Silva, de Gravatá, Agreste Central, começou confeccionando bonecas em sua infância para brincar com as suas irmãs. Costuradas a mão e com cerca de 2cm, as bonequinhas da sorte de Gravatá são conhecidas como amuletos e procuradas nacional e internacionalmente, e desta forma contribuem para a divulgação do artesanato da região. Mestra Nilza também faz parte de projetos que ajudam outras mulheres a empreender, formando outras artesãs no Estado.

Uenni Mirielle/Divulgação

Ilé Axé Oxalá Talabi

A Associação Beneficente, Cultural e Religiosa Ilê Axé Oxalá Talabi está associada ao terreiro Ilê Oxalá Talabi, em Paulista, e dá continuidade às tradições através de formações atreladas ao combate ao racismo e o respeito às religiosidades de matriz africana. Além disso, promove a divulgação de expressões artísticas, festividades e também a promoção de vivências realizadas por meio da oralidade, da gastronomia tradicional dos orixás e da produção de horta comunitária, com o cultivo de mudas de árvores frutíferas sagradas para serem compartilhadas com outros terreiros.

Felipe Souto Maior/Secult-PE/FundarpeFelipe Souto Maior/Secult-PE/Fundarpe

Mestra Vera Brito

A artesã Vera Lucia de Oliveira Brito, natural de Vicência, Zona da Mata Norte de Pernambuco, produz sua arte através da palha rústica da bananeira desde criança. Começou produzindo embalagens para o seu pai, que fazia doce de banana. As suas bonecas, que vem da palha de banana, surgem quando ela foi aprimorando suas técnicas e assim criando em todos os formatos e tamanhos.