"Uma agricultura liderada por mulheres e focada na sustentabilidade, na agroecologia e na preservação do meio ambiente". É com esse discurso que a agricultora Vera Lúcia Domingos descreve o trabalho desenvolvido nos Quintais Produtivos do Engenho Ilha, no Cabo de Santo Agostinho. As hortas comunitárias foram beneficiadas pelo projeto "Hortas Urbanas na Região Metropolitana do Recife", desenvolvido pelo Centro Sabiá Agroecologia e acompanhado pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE).
O "Hortas Urbanas na Região Metropolitana do Recife" surgiu a partir de Emenda Parlamentar criada pelo Deputado Estadual João Paulo, em 2020, com o objetivo de proporcionar a agricultura urbana, de base agroecológica por meio de quintais produtivos, como forma de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas, reduzindo a vulnerabilidade socioambiental das cidades por meio da preservação ambiental. Ao todo são cinco comunidades envolvidas no projeto, que totalizaram mais de cem pessoas participantes: Recife - Cozinha Solidária Popular, no bairro da Torre; Ipojuca - Comunidade Quilombola Ilha de Mercês; Cabo de Santo Agostinho - Comunidade Engenho Ilha; Olinda - Cozinha Afetiva Eco Oka; e Jaboatão dos Guararapes - Horta Espaço Verde CSU João de Deus.
A Semas-PE tem o papel de gerenciar e fiscalizar as hortas comunitárias. De acordo com Ana Paula, analista ambiental da secretaria e gestora do projeto, o intuito é garantir que o projeto tenha o seu propósito cumprido e que ele siga como um importante instrumento educativo socioambiental. "A ideia é que ele se propague e se torne um importante agente de transformação comunitária. Transformando espaços antes improdutivos em locais de convivência de aprendizagem sobre agroecologia", ressalta.
As hortas chamam atenção ao longo dos 611 hectares da comunidade Engenho Ilha, no Cabo de Santo Agostinho. Além de ser um espaço para o cultivo de alimentos saudáveis, os quintais produtivos se tornaram uma válvula de escape e uma força motriz de mulheres agricultoras que aprendem sobre agroecologia no local.
"A gente está tentando trazer mais mulheres para o nosso grupo, reforçando a importância do empoderamento feminino para o meio rural. Recentemente, vivemos uma crise do tomate em Pernambuco. Mas no Engenho Ilha não tivemos, graças à nossa horta comunitária. Apesar do desânimo de muitas moradoras, também não passamos por falta de alimentos na pandemia. Nos nossos quintais, produzimos frutas e verduras que deu para alimentar toda a comunidade", enfatiza a moradora e líder comunitária, Vera Lúcia Domingos. Cerca de 300 famílias vivem no local.
Na comunidade Quilombola Ilha de Mercês, localizada às margens do Complexo de Suape, um grupo de mulheres mostram a força da resistência pelo seu território através dos quintais produtivos. Em meio a produção de alimentos orgânicos, elas garantem o consumo local da comunidade, propagam o conhecimento sobre a agroecologia e produzem fontes de rendas para as famílias quilombolas.
"Aqui nós aprendemos a cuidar do solo e a preparar ele para produzir os alimentos. Além disso, realizamos oficinas com temas envolvendo a produção de mudas nativas, o cultivo dos alimentos orgânicos e a reutilização dos alimentos em nossa casa, como adubo e compostagem. Um ensinamento que vai sendo repassado em gerações diferentes", explica Rosilda Abreus, moradora da comunidade quilombola e participante do projeto.

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