Mas
é fato que a depressão não é algo novo. Apesar de não utilizar especificamente
essa moderna nomenclatura, o abatimento e a tristeza da alma encontram inúmeros
relatos nas Escrituras, como, por exemplo, depreende-se do capítulo 42,
versículo 11, do livro dos Salmos que assim diz: “Por que
estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?” Ou, como se nota no
Novo Testamento, cujo livro de Mateus (26:38) relata que, momentos antes de ser
traído por Judas, estando Jesus no Getsêmani com Pedro e dois filhos de
Zebedeu, o Filho de Deus começou a entristecer-se e a angustiar-se e lhes
disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte”.
Como se vê, a palavra de Deus
evidencia que as dores humanas são conhecidas do Senhor. Cristo veio como homem
e por isso mesmo conhece nossos mares revoltos, por isso é possível enxergar na
fé poderoso auxílio para o renovo da alma.
Ora,
é bem verdade que a depressão e o sofrimento costumam isolar o aflito. O
profeta Elias queixou-se da solidão: “só eu fiquei” (1Re 19.10 e 14). Jó, o
“pai da paciência”, foi desamparado por parentes e amigos na ocasião em que
experimentou a dor imensurável da perda de seus filhos, de sua saúde e de seus
bens (Jó 19.14).
A
solidão nos coloca diante de nossos medos, questionamentos e incertezas. Mas,
no momento de grande aflição, Jesus
escolheu ladear-se de seus amigos mais íntimos e que compreendiam seu
sofrimento e a fé nos ensina que a comunhão entre verdadeiros irmãos é
instrumento disponibilizado por Deus para tratar o coração condoído.
Quando
nossa perspectiva está turva e obscura, necessitamos ser guiados pelos olhos de
quem nos ama e está enxergando melhor. Quando a única coisa que nosso coração
nos diz é negativa e desesperadora, carecemos daqueles que nos falam palavras
de esperança. Amizades não são apenas preciosas (cf. Pv 17.17), mas necessárias
nesses instantes. Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, não abriu mão desse
benefício em seu momento de angústia.[3]
Além
do isolamento, é comum que o depressivo se feche em copas e confine suas
angústias dentro de si, seja por não confiar em alguém ou por temer não ser
compreendido ou respeitado. Mas a fé nos ensina que, ao desabafar com seus
discípulos sobre os sentimentos profundos que sentia naquele instante, Cristo
evidenciou a necessidade de abrirmos o coração e expressarmos nossa dor com os
que nos rodeiam, ainda que eles pouco possam, nada queiram ou saibam fazer. Curiosamente, Pedro estava com Cristo, mas o negaria momentos depois e
Jesus sabia disso, o que não foi capaz de silenciar o Filho de Deus, nem de
despertar-lhe receio quanto à sua reputação, mesmo sendo ele Mestre e Senhor. E
não se tratou de um simples desabafo, pois o Salvador pediu a intercessão e a participação dos amigos em
sua luta ao dizer: “ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26.38), corroborando
o que nos ensina Romanos 12:15, ao afirmar: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai
com os que choram”.
O
relato bíblico nos ensina ainda, que Jesus se coloca humildemente na
condição de servo, quando clama: “Meu Pai, se possível, passa de mim este
cálice!” (Mt 26.39). Como se evidencia, o Mestre reforça que a tristeza, a
angústia e o abatimento nos colocam frente a frente com nossas limitações
humanas e revelam nossa necessidade de submissão diante daquele que é
infinitamente maior que todos nós; mostra ainda, que nossos desejos sinceros podem
ser humildemente derramados no altar do Senhor, pois Ele não é indiferente aos sentimentos
e problemas que vivenciamos. A fé nos dá a certeza de que Deus está atento (Hb
10.22). A medicina esbarra frequentemente nos limites humanos, a depressão é
celeiro dos sofrimentos terrenos e não há aqueles que não enfrentam dores nessa
vida, mas o Redentor nos ensinou que, em nossa angústia, podemos recorrer ao
Deus da vida.
É
certo ainda, que Cristo se submete à sabedoria e à soberania de Deus ao
afirmar: “Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu
queres” (Mt 26.39). Jesus Cristo reconhece que, para Deus, em tudo há um
propósito, por isso é preciso entendermos que não se pode pensar na vida tão
somente a partir das circunstâncias imediatas a que estamos submetidos. Jesus
lidou com sua aflição e angústia e suportou a cruz, mas, a despeito de tudo o
que sofreu, submeteu-se a Deus, herdou a coroa da vida e está assentado à
destra de Deus Pai.
A
depressão frequentemente impõe à pessoa deparar-se repetidamente com o cenário
deletério da dor em que está submerso, como se dele não pudesse sair ou
desvencilhar-se, mas Cristo enfrentou a dor e ensinou que é necessário lutar
para entender que, além do momento presente, há vida a suplantar a desesperança
e a fé pode ser o elemento fundamental a possibilitar a superação desse grave
problema e o reencontro saudável do indivíduo com sua alegria de ser e de viver.
[1] Texto inspirado em Mensagem do Rev. Valdeci Santos, da IPB. SANTOS, Valdeci. Como Jesus nos Ensina
a Lutar contra a Depressão? https://www.ipb.org.br/informativo/como-jesus-ensina-a-lutar-contra-a-depressao-4258. Acesso em 10 de
setembro de 2019.
[2] Centro de Valorização da Vida.
Disponível em https://www.cvv.org.br/ Acesso em 10 de setembro de 2019. Disque 188.
[3] SANTOS, Valdeci. Como Jesus nos Ensina
a Lutar contra a Depressão? https://www.ipb.org.br/informativo/como-jesus-ensina-a-lutar-contra-a-depressao-4258. Acesso em 10 de
setembro de 2019.


6 comentários:
Maravilhoso!
Obrigada pelo comentário!
Parabéns a senhora é muito inteligente linda
Obrigada!
Excelente texto professora sábias palavras, que a Sra seja o canal de conhecimento para aqueles q ainda não sabem e não entendem o q é a depressão na vida de alguém. Que não só este mês de campanha do setembro AMARELO, mas em todo momento as pessoas se conscientizem q depressão é coisa séria não é frescura. Parabéns pelo belo trabalho. Ainda quero ler um livro seu. Sou sua fã q Deus lhe abençoe e ilumine sempre beijos.
Obrigada por suas palavras tão preciosas e por tê-la como leitora!
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