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| Dudu do Acordeon |
Um dos irmãos vivos de Luiz Jacinto, é o Luciano, que mora em Recife e é pai de Eduardo Henrique de Araújo Silva (Dudu do Acordeon). Dudu herdou a veia artística e parte musical de Ludugero, que não só contava causos mas também cantava. Em seus shows Dudu conta com a participação da família e canta músicas no repertório de Ludugero.
Sua música atravessou fronteiras internacionais levando a nossa cultura para a Europa, participando de festivais de música na França e até na África. É recifense e começou lidar com a música desde criança, através do teclado, seu primeiro instrumento. Dudú, é compositor premiado, tem diversos CDs e DVs gravados e tem em média 80 shows por ano.
Um jovem talentoso, bem relacionado com mundo artístico, de boa índole, ainda é, uma das grandes revelações da música popular nordestina. Vamos à entrevista que fizemos recentemente com ele:
Paulo Nailson – Você toca Acordeon, mas seu encanto inicial foi com teclado, como isso começou?
Dudu do Acordeon – Aos 8 anos de idade eu estava em Caruaru e vi minha prima tocando teclado. Entre uma canção e outra que ela tocava eu ficava “catucando” as teclas. Meu pai viu meu interesse pela música e comprou um teclado para mim. Comecei a tocar teclado, me apaixonei pela música popular nordestina e aos 16 anos fui para a cidade Aliança e vi meu tio Inácio tocando sanfona, me encantei pelo instrumento e decidi aprendê-lo.
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| Dudu em estúdio |
PN – Quem mais lhe influenciou na sua formação artística?
DA – A cultura nordestina é apaixonante, rica e inspiradora. Esta paixão e inspiração somada ao incentivo e apoio da minha família são essenciais para a minha formação artística. A genética também ajudou bastante, pois cresci ouvindo as histórias e canções do meu tio Luiz Jacinto, o “Coroné Ludugero”.
PN – Além de compor, você canta. O que significa cantar para você?
DA – Eu acredito muito no poder da arte. Cantar pra mim é a melhor forma de expressar tudo aquilo que eu acredito. Posso chegar a qualquer lugar do mundo, a qualquer pessoa e mostrar minha verdade, minha cultura, minhas raízes, meu cotidiano, minha história, não só cantando, mas também compondo e tocando a sanfona, instrumento que escolhi para compartilhar todos estes momentos.
PN – No seu segmento artístico, relate as maiores dificuldades que enfrenta. E o que tem feito para buscar superá-las.
DA – A maior dificuldade de qualquer artista que faz um trabalho cultural é conseguir ser valorizado, não só financeiramente, mas também estruturalmente, moralmente, socialmente e comercialmente. A grande maioria das festividades tem como base o contexto cultural, pois o nosso calendário de eventos está fundamentado e baseado na cultura, porém ela não tem espaço, ou, quando tem, se torna apenas um detalhe quase sempre imperceptível. Tento mostrar em meu trabalho a nossa cultura com uma linguagem que o grande público entenda, de forma moderna, jovem, atual, simples e sem perder a essência.
Uma outra dificuldade é conseguir uma visibilidade ampla do trabalho, e é neste caso que ressalto a grande importância das redes sociais e plataformas digitais, e procuro utilizar estas ferramentas da melhor forma para levar a minha música ao máximo de pessoas.
PN – Qual sua opinião sobre o momento atual que o país vive?
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| Em 2017, A família esteve em Caruaru, na Casa do Cordel, recebendo homenagens. Na foto, da esquerda para direita: Anderson do Pife, Dudu do Acordeon, Luciano Jacinto e Lucivan Max. |
DA – Politicamente é lamentável! Este extremismo, esta polaridade entranhada no povo brasileiro só piora ainda mais a situação. Acho importante e necessário haver opiniões diferentes, porém tem que existir o respeito com quem não tem a mesma opinião que a sua. Este respeito é raro. Hoje em dia existem muito mais torcedores partidários do que eleitores. Pensando desta forma TODOS se prejudicam.
Culturalmente acho que poderia haver uma maior valorização dos artistas e grupos culturais.
PN – Para concluir, deixe uma mensagem para os leitores da coluna.
DA – Quero agradecer a Paulo Nailson pelo espaço, agradecer a todos os leitores da coluna pela atenção e pedir para que eles não deixem nunca de valorizar a nossa cultura, nossas tradições, raízes, essência, história! Gostaria de pedir para que conheçam não só o meu trabalho, mas também de todos os que fazem parte da nova geração da música popular nordestina. A cultura depende da política e vice-versa, elas podem e devem falar a mesma língua e precisam ser encaradas com seriedade e respeito.



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