21/09/19

Especial 90 anos de Luiz Jacinto


Luiz Jacinto Silva foi escoteiro aos dez anos e estudou no Colégio de Caruaru (hoje Colégio Diocesano), onde concluiu o curso ginasial. Começou a trabalhar ajudando o pai a fazer selas de cavalo, mas não seguiu a profissão.
Com 12 anos foi trabalhar numa padaria entregando pão e, em seguida, foi ajudante de pedreiro. Com 16 anos foi para os correios entregar telegramas. Nessa  poca serviu em São Bento do Una e Sirinhaem, cidades de Pernambuco.
Aos 18 anos foi morar no Recife, onde fez um concurso para telegrafista. Embora não tenha sido aprovado, foi aproveitado pelos correios porque sabia taquigrafia. Permaneceu até  ingressar na vida artística.

Inicio da carreira

Luiz Jacinto começou sua vida artística na Rádio Clube de Pernambuco, onde fazia o programa das 12h30min sob o patrocínio da Manteiga Turvo.
Em 1960 conheceu Luiz Queiroga, que, com o incentivo do radialista Hilton Marques, criou o personagem Coronel Ludugero.
Logo no in cio, o Coronel Ludugero se apresentava sozinho, mas logo depois conheceu também Irandir Peres Costa (Otrope).
Apesar de muita gente n o saber, e o personagem de Dona Felomena ser mais conhecido com a atriz Mercedes Del Prado, nos primeiros programas o mesmo personagem, com o nome de Dona Rosinha, era interpretado por Rosa Maria, outra atriz de muito talento.

Coronel Ludugero

Retratava com bom humor a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam Guarda Nacional e gozavam de grande prestígio junto a população. Era um homem simples de poucas palavras, amante da verdade e sincero. Gabava-se de si próprio.
Contador de histórias fantásticas, era casado com dona Filomena. Bom aboiador, bom cantador de viola e poeta. Mantinha um secretário (Otrope) que o orientava nos negócios e nas questões políticas. Ludugero se sentia feliz em contar histórias, dando expansão ao seu gênio brincalhão, quando não estava em crises de impaciência e nervosismo.



Obras
  • CARNAVAL DO CORONEL LUDUGERO - (Disco em 78 rotações /1961)
  • LUDUGERO APOQUENTADO - (Disco em 78 rotações / 1962)
  • CUMBUQUE DE LUDUGERO - (Disco em 78 rotações / 1962)
  • A INLEI  O DO CORONEL LUDUGERO - (LP Viva São João Vol. 5)
  • LUDUGERO MANDA BRASA - (LP gravado em 1967 pela CBS)
  • LUDUGERO E SEU JUMENTO - (LP gravado em 1968 pela CBS)
  • LUDUGERO CASA UMA FILHA (LP gravado em 1969 pela CBS)
  • DESQUITE DE LUDUGERO (LP gravado em 1970 pela CBS)
  • MUITA SAUDADE (LP gravado pela CBS em 1971 reunindo sucessos variados)
  • DISCURSO FINAL - (Show AO VIVO gravado pela Rádio Gazeta de Alagoas / 1977)
  • DIXE BOM (1979 / Gravado depois da morte do Coronel Ludugero e Otrope reunindo v rios sucessos)
  • 20 SUPER SUCESSOS - CORONEL LUDUGERO - (1997 - Sony Music)

Morte de Luiz Jacinto
Corpo de Luiz Jacinto em cortejo — Foto: Acervo/Walmiré Dimeron
No dia 14 de mar o de 1970, morre Luiz Jacinto e Irandir Costa, com toda sua equipe, vítima de desastre aéreo na Baía de Guajará, em Belém do Pará. O corpo de Luiz Jacinto Silva foi encontrado no dia 30 de março e sepultado um dia depois, em Caruaru.


DIÁRIO DE PERNAMBUCO FEZ REGISTRO HISTÓRICO DA TRAGÉDIA
A triste partida do Coroné Ludugero e de seu fiel Otrope
Em 15 de março de 1970, a edição de domingo rasgava como manchete a trágica morte de Luiz Jacinto da Silva, vítima de um acidente aéreo na baía de Guarajá, no Pará. No dia anterior, um avião Hirondelle, da Paraense Transportes Aéreos, havia caído na água quando tentava pousar no aeroporto de Belém. Além de Luiz Jacinto, outras 31 pessoas a bordo não resistiram. Somente três pessoas foram retiradas com vida do aparelho. Era o fim também para um personagem que ganhou a simpatia dos brasileiros, em programas de rádio e de televisão, além de 12 discos de vinil: o Coroné Ludugero, matuto que resolvia as paradas na lei do revólver, com linguajar próprio, casado com a impagável dona Filomena.

O personagem interpretado pelo caruaruense Luiz Jacinto, que faleceu aos 41 anos de idade, surgiu primeiro na capital do Agreste pernambucano, criado pelo produtor Luís Queiroga. Funcionário dos Correios, transferido para o Recife, Jacinto nas horas vagas integrava o elenco das emissoras Associadas, primeiro a Rádio Clube e depois a TV Rádio Clube. O sucesso acabou fazendo com que o Coroné Ludugero fosse para o Rio de Janeiro, integrar o cast da TV Tupi. A presença em Belém era por conta de uma excursão ao Norte do país.


No avião estava também a caravana artística que acompanha o Coroné Ludugero. Faleceram com Luiz Jacinto o ator Irandir Costa, que fazia o personagem Otrope, seu fiel secretário, o empresário Antônio Farias e os músicos Sebastião Martins e José Mauro Marques. De todos, somente o corpo de Jacinto não foi localizado. Nos dias seguintes ao acidente aéreo, o jornal anunciou que as buscas eram infrutíferas. Os restos mortais só foram localizados no dia 30 de março.

Luiz Jacinto estreou nos palcos em 1957, fazendo um papel na peça O caixeiro da taberna, de Martins Pena. Depois incorporou-se à trupe do Teatro do Nordeste, interpretando o Zé Beato, um sacristão caipira e bonachão.


Em 1º de abril de 1970, o Diario finalmente noticiava o enterro de Luiz Jacinto em Caruaru, ocorrido no dia anterior com a presença de 100 mil pessoas. Primeiro velado na Rádio Clube no Recife, o cortejo até o Agreste foi acompanhado por 300 veículos. Foi uma comoção em Caruaru, mas o personagem ainda vive a cada São João da cidade. E na memória dos nordestinos. Outros “clones” surgiram, mas Ludugero é quem manda mesmo

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