As Meninas é um romance escrito em 1973 pela autora brasileira Lygia Fagundes Telles. No auge da ditadura militar, três meninas iniciam sua vida adulta em um pensionato de freiras em São Paulo. A narrativa compartilha seus pensamentos e dramas pessoais e mostra o quanto uma é diferente da outra.
Lorena Vaz Leme é de família rica e estudante de Direito. Vive sonhando e aguardando a ligação de seu suporto amante, que o livro apresenta apenas como MN. Lia ou Lião, é uma baiana, filha de um ex nazista e de uma baiana. Cursa Ciências Sociais, mas passa um tempo afastada do curso dedicando-se a militância do seu grupo de esquerda, além sofrer por seu namorado preso. Já Ana Clara, dona de grande beleza, é oriunda de família pobre e encontra nas drogas refúgio na vida adulta. Tem um namorado traficante e muitas vezes cita um noivo rico.
Esse é um livro corajoso, pois possui um depoimento de um preso político e mesmo assim escapou da censura vigente da época. Lygia faz um retrato urgente da sociedade brasileira dos anos 70.
“Ali interrogaram-me durante vinte e cinco horas enquanto gritavam Traidor da pátria, traidor! Nada me foi dado para comer ou beber durante esse tempo. Carregaram-me em seguida para a chamada capela: a câmara de torturas. Iniciou-se ali um cerimonial frequentemente repetido e que durava de três a seis horas cada sessão. Primeiro me perguntaram se eu pertencia a algum grupo político. Neguei. Enrolaram então alguns fios em redor dos meus dedos, iniciando-se a tortura elétrica: deram-me choques inicialmente fracos que foram se tornando cada vez mais fortes. Depois, obrigaram-me a tirar a roupa, fiquei nu e desprotegido.” (p. 148, 2009)
As protagonistas tem modos diferentes de reagir as situações ao redor, e especialmente Lorena é criticada em pensamento pela Ana e Lia. Mas apesar de ser considerada alienada e sentimental demais, ela funciona como um elo entre todas, e é no seu quarto onde quase toda a história se desenrola e cada uma busca conforto. A autora utiliza o fluxo de consciência como estratégia para transcrever o processo complexo de pensamento de cada personagem e isso permite que elas pareçam reais para o leitor.
Editora: Companhia das Letras; Edição: 1ª (22 de abril de 2009)
304 páginas
Joyce Sueely - estudante de psicologia e fotógrafa. Responsável pelo instagram literário @estantedajoy.


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