13/10/19

Para não dizer que não falei dos espinhos - Urbano Leafa

A moça,
Parada,
Na calçada.

Observava tudo  que passava.

Sentada,
No banco da praça.

A nuvem anuncia,
Uma chuva que se aproxima,
Naquele fim de tarde, Onde a cidade se preparava para pegar o " busão".

Cada gota tímida,
Era rima,
Era distração,
Que o seu coração buscava contemplar e extrair alguma emoção.

A vida tem feridas, 
As feridas nos ensinam
a não sonhar.

Na garganta ela experimentava a cada soluçar,
 O amargo  fel,
Ela se esconde abaixo de seu  chapéu.

E o céu reflete a tua'lma tempestiva. 
 felinas sangrias, 
Arranham suas entranhas.

Uma moça,
Que ali passava,
Seus olhos choravam,
 Ela também andava de mãos dadas 
com a solidão.

Ela estendeu sua mão,
Ao se aproximar,
E lhe ofereceu um cigarro.

A moça que já estava sentada
 deu um trago, 
Disse obrigado e começou a chorar.

No mesmo tempo,
As nuvens  percebendo 
seu tormento,
Naquele momento com mais força começou a  chuviscar.

As duas foram para um abrigo,
E com um sorriso,
A moça do cigarro,
Lhe deu um abraço e começou a falar:

"A vida é como a chuva,
Sempre  uni as  pessoas,
Vamos aproveitar essa chuva boa,
 e vamos nos conectar."

Um olhar,
Uma lágrima,
Uma olhava para a  outra ,
Ambas molhadas da chuva que já  estava a passar.

Chuva passageira,
Fez só acender a fogueira,
O amor está no ar.

Lábios se uniram 
Naquela calçada enxarcada, 
Era o afago da mágoa,
Iniciava ali então 
o verbo amar.

Aproximaram-se
Alguns homens,
Irritados,
 Com o amor incomodados,
As duas foram espancar.

Assassinaram,
e antes das seis
 as duas  estruparam,
Outras pessoas até olharam,
 mas não foram ajudar.

A homofobia
 causa sangrias,
Devemos nos atentar,
Devemos denunciar!

Foi um atentado,
Dois corações foram machucados.

O amor não é pecado,
Pecado mesmo é odiar.

*Urbano Leafa, O despoeta

Nenhum comentário: