O povo de Fazenda Nova teve três dias de celebração de uma das mais antigas e universais expressões artísticas que a humanidade foi capaz de produzir, graças a parceria da Prefeitura do Brejo da Madre de Deus, por meio de sua Diretoria de Cultura, com o incentivo do Governo do Estado de Pernambuco (Funcultura). Isso oportunizou a muitas crianças que nunca tinham tido acesso ao universo circense a vivência com a trupe do Circo Alves, que mantêm viva essa arte de resistência em Pernambuco, e o mais importante, toda programação gratuita e aberta ao público.
Durante três dias, (20, 21 e 22) o espetáculo “Arte, Luz, Música e Muita Alegria”, levou as alunos da rede pública de ensino não só lazer e diversão, mas também de formação. E, depois de Brejo da Madre de Deus, o espetáculo segue para Vitória de Santo Antão e Arcoverde.
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O Circo Itinerante Alves tem produção executiva de Gardênia Alves, a Tita, e assistência de produção de Heleno Orlando de Melo, o Palhaço Jipinho.
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"Circo é tradição, é Cultura! Todos os alunos de Fazenda Nova, tiveram acesso gratuito ao circo e vivenciaram momentos inesquecíveis!" fala com entusiasmo Mônica Mendonça, gestora de Cultura do município. Os estudantes assistiram números de equilibrismo, pirofagista, chicote, corda indiana, equilibrismo com arame, escala, malabares, força capilar, trapézio, lira, tecido aéreo, mágica, acrobatas e palhaçaria.
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| Mônica Mendonça, gestora de Cultura de Brejo |
Mônica também expressou gratidão a todos que se envolveram cooperando para o sucesso desse projeto: "Fechamos, uma série de cinco (5) apresentações, com chave de ouro e, o mais importante de tudo, com a arena lotada de risos, gritos de emoção e muita felicidade! Agradeço às gestoras e professores das escolas, e todos que se uniram para ver tudo dar certo."
HISTÓRIA DO CIRCO ALVES
Os bisavós peruanos de Gardênia Alves chegaram ao Brasil por volta do ano de 1900. Eles já eram do circo. Em 1903, nasce Manoel Pedro Vasconcelos, o filho caçula e brasileiro do casal, avô de Gardênia.
É dessa data que ela conta o surgimento do Circo Alves, que começa em Minas Gerais e hoje tem dezenas de lonas espalhadas pelo Brasil. “Eu tenho circo, meus irmãos têm os circo deles, meus sobrinhos. Somos uma grande família de circenses tradicionais.
Naquela época, éramos uma das poucas famílias que fabricava lona”, conta Gardênia, mais conhecida como Tita. Ela veio parar em Pernambuco depois de conhecer o pernambucano Heleno Orlando de Melo, o Palhaço Gipinho, um garoto que deixou a família e literalmente fugiu com o circo.
“As família tradicionais de circo sempre tiveram isso de querer que as mulheres se casassem com homens de famílias do circo. Ele (Palhaço Gipinho) não vinha de uma família tradicional do circo, mas a gente começou a namorar em meados de 90. Minha família era grande, um pessoal conhecido, tinha essa coisa. Então mesmo ele sendo circense eu sofri esse preconceito.
E até hoje tem essa diferença pra gente, de pessoas que vivem da nossa linguagem, sem serem circenses. Nós nascemos do circo, fomos paridas do circo. Tem gente que não consegue entender essa diferença, mas ela existe”, explica Gardênia. Hoje é ela quem monta os espetáculos do circo Alves, atualmente instalado na comunidade da Comportas, um pequeno bairro de Jaboatão dos Guararapes.
“Eu monto os espetáculos, dou aula, trabalho com os palhaços, sou mestre de cena, trabalho o espetáculo inteiro. Já fui malabarista, trapezista, hoje sou apresentadora”, conta ela, que vai fazer um espetáculo neste Dia do Circo, para comemorar a data. “Circo é cultura para as comunidades, lugares onde a população tem pouco acesso à arte.
A gente chega onde não tem teatro, não tem cinema, não tem nada. Hoje, a luta maior é pra poder trabalhar. Os municípios ainda querem cobrar todas as taxas de uso do terreno, e essa é uma das nossas maiores dificuldades”, diz Gardênia.
O Circo Alves é um dos que acessam as políticas para o circo do Governo de Pernambuco. Gardênia diz que é de extrema importância a circulação promovida pelos programas que incentivam a tradição, como o Funcultura ou mesmo o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), para onde todos os anos tem levado seus espetáculos.
Imagens do fotógrafo César Augusto - ASCOM Prefeitura do Brejo da Madre de Deus/PE.












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