22/11/19

Música e Tradição Cultural - Salve Zumbi, salve Dandara! por Juce Bezerra*

Dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra. Eu gosto muito da frase “Por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher”. Por isso, vou iniciar com uma música sobre Dandara, companheira de Zumbi dos Palmares. Dandara preferiu suicidar-se a render-se à escravidão. Mulher guerreira e capoeirista, segue uma música de capoeira que conta sua história: 



Fico imaginando como deve ter sido o encontro dos dois... (Zumbi e Dandara). Duas almas livres e guerreiras. A música do encontro dessas duas almas bem que poderia ser Maracatu Nação do Amor de Moacir Santos, um pernambucano de Serra Talhada que mostrou o talento brasileiro no exterior:


Calunga é uma palavra de origem bantu (povo africano) que significa deus. Por isso, fico imaginando a cena, ela chegando como uma deusa, o encontro sendo abençoado ao som do maracatu.

Contando um pouquinho mais sobre a história de Zumbi de Palmares, ele foi um importante guerreiro e defensor do seu quilombo que ficava na Serra da Barriga que hoje em dia é o Parque Memorial Quilombo dos Palmares em Alagoas. Quem quer conferir a história, ela está contada por Martinho da Vila em um vídeo bem curtinho:



Falando em Martinho da Vila, ele lançou uma música sobre Zumbi dos Palmares no ano passado:



Martinho também foi o autor do samba-enredo “Kizomba, Festa da Raça”, onde a escola de samba do Rio de Janeiro Vila Izabel homenageou Zumbi dos Palmares no desfile de 1988 :



Ainda de samba-enredo de escola de samba, tem o do Salgueiro de 1960, o “Quilombo dos Palmares:


Sobre músicas que contam a história de Zumbi dos Palmares, tem uma muito bonita do mestre de capoeira Boa Voz, “Homenagem A Zumbi Dos Palmares”: 



Não posso deixar de citar aqui o “Canto das três raças” de Clara Nunes que ainda demonstra muito a voz do povo negro brasileiro, que sofre muito ainda e que ainda luta por seus direitos, que ainda é discriminado, que ainda soluça suas dores diante das injustiças sociais.




Para complementar o canto, recorro à força da mulher brasileira que antes de tudo é guerreira. Em especial, a mulher negra que cuidou de uma nação inteira, seja na época da escravidão como ama de leite ou até hoje, cuidando dos filhos de pessoas com uma melhor condição socioeconômica. Tendo profissões muito dignas, mas infelizmente não prestigiadas. Muitas vezes ainda não trabalhando por escolha, mas por não ver ou ter outras opções de sustento, por ainda ser um reflexo do quanto a sociedade precisa evoluir para garantir a cidadania de todos os povos. Dandara não aceitou ser escravizada, não aceitou menos do que merecia. Mulheres, vamos aprender com Dandara?


Juce Bezerra é natural de Brasília, atualmente residindo em Caruaru. Professora e musicista.


Nenhum comentário: