23/11/19

Rogério Menezes deixará o PT após décadas na legenda


Rogério Meneses Sobrinho é natural de Imaculada-PB, onde iniciou sua carreira de repentista. Veio para Caruaru em 1990 a convite do também cantador João Lourenço, formando uma dupla de grande repercussão. É formado em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (Fafica) e pós-graduado em Gestão Pública pela Associação Caruaruense de Ensino Superior (Asces). Apresentou programa de repentistas na TV Asa Branca e TV Pernambuco, também no rádio, e promove festivais de repentistas em várias cidades do Nordeste. Tem oito CDs gravados, três DVDs e duas viagens internacionais. Em 2001 na França, onde gravou em parceria com Chico de Assis, Antônio Lisboa e Edmilson Ferreira, o CD “Cantoria na França”; e na Espanha, com Raimundo Caetano, em 2006.

Militante histórico do Partido dos Trabalhadores, Rogério foi chefe do escritório regional do Ibama, entre 2003 e 2006, e coordenador da 4ª Ciretran em Caruaru, de 2006 a 2007. Em 2008 foi eleito vereador pelo PT, quando chegou a presidir a Câmara Municipal de Caruaru. No último pleito, de novo em Caruaru, em 2016, ficou como suplente (PRP / PTC / PT). Em entrevista ao nosso blogue ele fala sobre sua decisão de sair do PT e indica que o PDT será seu novo partido. Também se queixa sobre o fato de ter sido excluído da organização e até mesmo da participação do festival que ele criou.

Confira:

Esse momento, depois de tantos anos no PT, já está certo sua saída do partido?

Sim. No PT eu construí boas relações e vivi muitas histórias que enriqueceram minha vida. Tive decepções mas isso tem em qualquer lugar. Não é um problema do partido, são algumas pessoas que não conseguem agir corretamente. Da mesma forma que eu tenho minha história limpa, tem grandes quadros no partido que são políticos honrados.

O que está o levando para procrastinar essa decisão?

A janela que ocorrerá em abril do próximo ano é a data limite para que eu comunique oficialmente. Estou como suplente de quatro vereadores: Tafarel, Andrey, Daniel e Moysés, não custa nada esperar, né? (risos)

O PT (nacional) errou?

Em parte sim, em parte não. Um exemplo do erro foi a candidatura de Haddad. Haviam outros nomes que naquela disputa teriam mais condições de disputar melhor. Em São Paulo não conseguiu se reeleger...

O PT não erra novamente insistindo na candidatura de Lula?

Se a justiça possibilitar que Lula dispute em 2022 não vejo problema. Mas se não for possível eu acho que deveria pensar outros nomes... Entre eles o Jaques Wagner, por exemplo. 

Você permanece com intenção a candidatar-se ao Legislativo na próxima eleição. Saindo do PT, qual partido será seu destino?

Eu vejo, de início, duas possibilidades, o PCdoB e o PDT. O PCdoB eu entendo que esteja mais distante. Com o PDT essa construção está mais bem encaminhada.

Depois do que aconteceu anteriormente, e o levou a mudar o domicílio eleitoral para Imaculada (PB) e concorrer lá... Aquele fato não deixou mágoas com Queiroz?

Naquela ocasião sim. E fiz o que eu considerei mais sensato. Mas, dois anos depois, Wolney me chamou para conversar e naquele momento reparamos tudo. Ficou superado. 

Neste domingo acontece mais uma edição do Festival de Violeiros Ivanildo Vila Nova. Você participou da criação do mesmo nesta gestão e permaneceu na organização. Quais os motivos para você ter ficado fora desta edição?

Eu acho que há um só motivo. Foi decisão de uma pessoa e talvez a prefeita nem teve conhecimento disso.
Eu lembro muito bem quando eu e Xangai fomos à casa de Lúcio Omena (na época presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru). Conversamos sobre a situação não muito boa que Ivanildo Vila Nova estava passando. Tivemos várias idéias, entre elas a criação do Prêmio Patrimônio Vivo. Ivanildo é simplesmente o cantor-violeiro mais importante do mundo e a gestão teve essa sensibilidade e aceitou criar o Festival. Os dois primeiros anos ocorreu tudo bem, esse ano teve isso.

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