Ele é guitarrista, cantor e compositor pernambucano, iniciou carreira em 1993, no final dos anos 1990 fundou The Bluz, icônica banda de blues do Nordeste.
Em carreira solo, toca um alegre e explosivo rock dos anos 50 com muita personalidade, trazendo rock ‘n’ roll, Blues e rockabilly como ingredientes, fazendo um trabalho autoral e pioneiro no Norte/Nordeste em seu gênero e especificidades. Suas canções, tem sido tocadas em rádios no Brasil e em vários continentes. Vamos saber um pouco mais sobre a arte e o que pensa Joanathan Richard.
1 - Fala
um pouco sobre quando você decidiu viver de arte e onde tudo começou e
quais foram os desafios que você enfrentou nesse período?
Sempre quis
viver de arte, pois ainda na infância, mesmo brincando com
"mini-acordeon" da Hering, flauta doce, xilofone, queria mesmo ser desenhista, artista plástico,
ilustrador, por influência dos quadrinhos sempre fui intenso nas coisas que
gostava e sentia vocação.
No final dos
anos 1980, ao conhecer o trabalho de Elvis Presley, que meu rumo começou a ir
no caminho musical, em 1991 comprei meu primeiro violão na extinta
"Patricinha Discos"(na Rua da Matriz), dai cada vez mais crescia a
ideia de ser músico-artista, mesmo estudando artes plasticas no curso do
professor Ricardo Bívio (Doutor em Belas Artes).
Em 1992
toquei contrabaixo com extinta banda Patota (juntamente com Alexandre Rasec,
Lucivan Max, Dinho Nascimento, Clovinho... ) no Fest Vida no Auditório da
FAFICA, que juntamente com uma apresentação em duo com Alexandre Rasec no
Rotary Club Caruaru Sul, foram minhas primeiras apresentações.
Grandes
desafios para quem não tinha muita grana, era acesso a informações e foi tudo
muito na tora, coisas típicas de “um rapaz latino americano, sem dinheiro no
banco e do interior”, aprendi basicamente só a tocar violão e a cantar,
cheguei a estudar coisas básicas de violão por um mês com Seu Manu, depois mais
um mês com Alexandre Piula (hoje mora em Minas Gerais) ele que me ensinou a
primeira escala de blues e depois alguns meses no conservatória CEMU de Olinda,
ia com alguns amigos uma vez por semana estudar teoria e umas poucas coisas na
prática.
2 - quais
são as suas influências para o desenvolvimento dessa linguagem musical? Tens algum tipo de influência
hoje?
- Na música
ouvia Luiz Gonzaga, Azulão, Trio Nordestino, Paulo Sérgio, Roberto Carlos,
Jovem Guarda, etc, por influência do meu pai, que tinha muitos discos dos nomes
citados, além de Trio Elétrico Dodô e Osmar, Ed Lincolm e muitos outros...
Através de
Elvis Presley, passei a buscar conhecer mais e mais nomes da música norte
americana (anos 50) e britânica, Little Richard, Bill Haley, Buddy Holly, Carl
Perkins, Chuck Berry... na sequência muitos dos anos 60 e 70 , The
Beatles, Rolling Stones, The Animals, Iron Butterfly, Creedence, Jimi
Hendrix, Stepenwolf, Janis Joplin, Deep Purple, Carlos Santana, Black Sabbath,
Led Zepelin, Nazareth, Queen, Dire Straits ...
Sem contar o
blues e o jazz, desde a década de 30 até os tempos atuais, Muddy Waters, John
Lee Hooker, Pinetop Perkins, Billie Hollyday, John Mayall Blues Breakers (não
confundir com o atual John Mayer, kkk), Eric Clapton, Johnny Winter, os irmãos,
Jimmy e Stevie Vaugham,
E meio que
"fora dessa curva", muitos artistas nacionais, como Betinho e seu
conjunto (pioneiro da guitarra rock no Brasil nos anos 50, depois
coincidentemente esteve em Caruaru no Vale da Bênção pois abandonou a música
secular)... Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis, The Angels, Luzinho e Seus
Dinamites, Os Mutantes, muita coisa da tropicália (Caetano, Gil, Gal, Tom
Zé...), Casa das Máquinas, O terço, Secos & Molhados, Ave Sangria,
Pholhas...
Nos anos 80, Iron Maiden, Marty
Friedman, Ozzy, Randy Roads... Na verdade,
"um moi", não dá pra lembrar e enumerar tudo aqui, só milhares (risos).
- Hoje, digo
mais recentemente, muito me chamou a atenção, Muse e Amy Whinehouse, Los
Hermanos "Ventura", não me lembro de outros que me tocaram tanto.
3 - Qual
a sua visão sobre o mercado considerando a cena da arte contemporânea?
Na minha
opinião e experiência própria, apesar da internet e facilidades digitais, terem
lados muito positivos como ferramenta democrática e acessíveis para qualquer
um, ao mesmo tempo gerou uma imensa pulverização, um bolo de informações que se
misturam e confundem o povo que já tem dificuldade para assimilar, distinguir e
ir atrás de material cultural.
Se nos anos
80 Raul já dizia que tinha "muita estrela para pouca constelação",
imagina hoje (risos). Eu sei que a
maioria não vai concordar comigo, mas vejo como um momento catastrófico, mesmo
antes da pandemia, uma geração doente e escrava dos mesmo benefícios que a
informação e possibilidades instantâneas nos trazem.
E pra
piorar, como sabemos no Brasil uma verdadeira minoria dá de fato valor a arte,
paga ingressos, compra discos, até mesmo quem se diz de uma determinada tribo
que tem esses costumes como fetische, "NOVOS ARTISTAS" são cada vez
mais desvalorizados, ficaram apenas nos medalhões.
4 - quais
são as habilidades fundamentais para o artista no cenário atual?
LITERALMENTE:
"Assobiar e chupar cana".
Habilidade para
criar não só sua arte, mas gerar conteúdos o máximo que puder, para tentar se
"destacar" no meio da multidão que também clama por atenção nessa
era.
Gerenciar
suas carreiras, administrar seus direitos autorais e divulgar de forma eficaz
seus lançamentos nas diversas plataformas digitais.
Mas ter bons
contatos acredito que sempre será um grande fator divisor de águas,
"amigos poderosos" ou que tenha influencia em determinados meios pode
te levar além do que somente suas próprios esforços podem.
5 - Qual
ou quais projetos você está trabalhando nesse momento?
Diante de
tantas influências musicais, gostaria antes de elucidar algumas facetas de
Joanatan Richard.
The
Bluz (como banda de fato) - Banda de blues-rock Cristã-Católica,
primeira no contexto autoral geral (incluindo secular) em Pernambuco e primeira
no segmento cristão no Brasil.
Joanatan
Richard (carreira solo) - Trabalho que em geral com
características vintage, passando pelo rock dos anos 50 e início dos anos 60,
além de Surf Music (instrumental), blues, etc.
Joanatan
Richard and His Beatful Boys (Eu com uma banda fictícia) - Compreende
um estilo mais voltado para os anos 50, totalmente em inglês, e diria que o de
estilo mais "roots": rockabilly, rock 'n' roll, doo-wop, etc.
Atualmente
estou com três novos álbuns para lançar, possivelmente nesta ordem pelo andar
das coisas:
- "Fake
Blues Sessions" (formato álbum, talvez single antes)> Joanatan
Richard no estilo blues-rock, poderia até dizer que representaria
muito bem o que seria a sequência do som da The Bluz, porem com letras mais
subliminares. Nesse caso canções em inglês
- "Rocks
e Lambrettas, Sodas e Baladas" Joanatan Richard e seu
conjunto (Formato álbum)> o que se chama de "pré jovem
guarda", rock ingênuo feito no Brasil no fim dos 50 até 1ª metade dos 60,
e em parte autobiográfico, em português e uma em italiano, que revira momentos
de minhas lembranças na rua preta de minha infância, lugares, etc.
- "1976"
- Phonosíntese (novo projeto, banda fictícia) ainda em fase de gravação,
onde até o momento gravei maioria dos instrumentos e canto. Trabalho todo em
português, que traz minhas influências do rock feito no Brasil principalmente
nos anos 70 (Raul Seixas, O Terço, Mutantes, Guilherme Arantes, Rita Lee e
Tutti Frutti, Joelho de Porco, Belchior, Zé Ramalho, Ave Sangria, etc) e
algumas pitadas dos anos 80 e atualidades.
6 - Qual
a mensagem você gostaria de deixar para os amantes da arte e todo o
público que está nos ouvindo agora?
Não basta
"transferir" as responsabilidades para os setores públicos ou
privados, a valorização da arte começa por cada um de nós, se pagando o
ingresso para apresentação, comprando a música, o álbum (seja digital ou
físico), apoiando vaquinhas virtuais.
Curtir,
comentar nas redes sociais é bom, é ótimo, tem que fazer mesmo, nós artistas
nos sentimos motivados e fortalece nossos canais, mas além de inscrever-se pra
ajudar a monetizar, é necessário apoiar na prática.
Sei que não
dá para apoiar ou acompanhar todos artistas do Brasil ou da região, mas se pelo
menos os que dizemos gostar mais, do estilo por exemplo.
Se digo que
gosto de estilo, metal, por exemplo, se a pessoa diz que gosta do som da
Alkymenia por exemplo, por que não comprar o CD dos caras? Ao invés de ficar
reclamando que o governo não apoia?
Eu digo sem
medo nenhum de errar, se 10% das pessoas (das que curtem vinil ou CD) que dizem
gostar do meu trabalho comprassem meus álbuns (ou mesmo colocassem minhas
músicas pra tocar nas plataformas digitais) eu me consideraria um artista de sucesso
nesse quesito.
Ninguém deve
nada a ninguém, nem a mim... Há exceções, mas minha maior decepção não
foi por falta de reconhecimento do público que só conhece música de má
qualidade, mas com o público de alguns nichos e "elites" de gêneros
musicais para os quais já que direcionei meu trabalho e que tanto elogiavam meu
trabalho.
*Lindenberg Roseno é músico, psicanalista e apresentador do programa Cultura e Cidadania na rádio Cidade FM 99.7.