Williams Wilson de Santana é titular na cadeira de Circo no Conselho Estadual de Política Cultural. Palhaço, ator e encenador. Cursou os cursos de Formação do Ator (UFPE), Licenciatura em História (UNICAP), Especialização em Gestão Cultural (MinC/Fundaj/UFRPE), e Mestrado em Cultura e Sociedade (UFBA). Atuou como Gerente de Cultura do Cabo de Santo Agostinho, Gerente de Teatro da Fundação de Cultura Cidade do Recife, Gestor do Teatro Luiz Mendonça / Parque Dona Lindu, e atualmente, Secretário Executivo de Gestão Cultural do Recife. Fundou o Centro CARCARÁ em 2004 e o Circo-Escola Carcará no Cabo de Santo Agostinho, integrante da Rede de Circo do Mundo – Brasil. Ele nos fala sobre as dificuldades do setor diante desse período de quarentena em relação ao COVID 19.
Você é representante do setorial de Circo no CMPC/PE. Qual é a realidade dos profissionais do Circo no momento?
Williams - Os circos vivem da praça da alimentação e da bilheteria, ou seja, só entra algum recurso quando tem espetáculo. Existe também a possibilidade de realização de apresentações “compradas. Como isolamento social os circos estão parados por duas semanas. Os pequenos e médio estão passando aperto. Falta alimentação e material de limpeza. Eles também estão de “quarentena” porque os circos são o local de morada deles.
Que medidas práticas estão sendo tomadas (há reuniões, encaminhamentos, etc...), por parte do Conselho e do Governo de estado para ajudar a amenizar essas dificuldades?
Williams - A Comissão Setorial de Circo de Pernambuco, que é um órgão de assessoramento do Conselho Estadual de Políticas Culturais se mobilizou e entregou um documento para o Secretário de Cultura de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto, fazendo várias reivindicações. Dentre elas, o pagamento imediato das parcelas atrasadas do Funcultura 2018 e 2019 (não apenas para os circenses), o adiamento de todos os editais abertos, a negociação com o Detran-PE para prorrogação do prazo de licenciamento dos veículos, além de um auxílio financeiro para os circos, trupes e artistas independentes. Os Editais foram prorrogados e começaram a pagar o Funcultura. Tivemos duas reuniões virtuais com a Assessoria de Circo da Secult-PE para levantarmos a demanda para o auxílio financeiro, esperamos na próxima segunda, 30.
Mas principalmente estamos articulando os agentes locais das cidades onde os circos estão. Estamos fazendo contato com as Prefeituras, Organizações Sociais e Culturais, artistas, agremiações carnavalescas, quadrilhas juninas, etc. E as pessoas têm nos ajudado com alimentos.
Por parte da sociedade civil, quem quiser e puder ajudar o que pode ser feito?
Williams - Tomando todas as medidas de higiene para evitar a propagação do Corona Vírus, as pessoas podem reunir alimentos e material de limpeza e higiene pessoal e levar nos circos. Chama o pessoal da religião, do esporte, da associação comunitária, dos partidos políticos da sua cidade (ou de outra cidade de onde o circo estiver, e que você tenha amigos), sensibiliza, fala que são trabalhadores da cultura que, temporariamente estão impedidos de trabalhar, e que precisam da ajuda de todos. Essa é a nossa estratégia no momento. Talvez haja a necessidade de abertura de uma conta para angariar recursos. Estamos estudando essa possibilidade.
Outra forma fundamental de ajudar é divulgar nossa causa como agora.

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