MIRANDA, MIRANDINHA... Por Walmiré Dimeron

novembro 16, 2018


De janeiro a janeiro, a saudação era uma só: "Feliz Natal!". Era assim que Miranda nos saudava na chegada ou na saída de um encontro fortuito ou numa conversa mais demorada. Quando o encontrava, no calor escaldante do centro, ele sempre estava com um envelope servindo de guarda-sol, e eu, preocupado, recomendava o uso do bloqueador solar. Ele, a me caçoar, fingia não saber da existência do tal produto. Logo, logo, foi desmentido de sua travessura por uma das filhas, que afirmou que ele não usava o tal bloqueador por pura teimosia.
Com o caruaruense Austregésilo de Athayde e o Prof. Agostinho Batista. Faculdade de Direito de Caruaru, 1968.
E foi a teimosia que levou Miranda à casa dos 90. 

Foi um mestre do jornalismo interiorano. Contribuiu imensamente com a promoção de Caruaru, principalmente na capital, quando correspondente do Diário de Pernambuco. 

No Jardim Siqueira Campos, com Nelson Barbalho, Lycio Neves e Wandragésilo Neves.
Teve carinho especial por nossos artistas populares, destaque para Vitalino, que acompanhou em viagens pelo Brasil, e outros, quase anônimos como Maria das Bonecas, da Feira de artesanato. 

Miranda, Pe. Zacarias Tavares, Nelson Barbalho, NI e Aureliano Alves Netto.
Foi também cômico, dando a notícia da "vaca no telhado" que teria dançado xaxado, aqui em Caruaru, pelas páginas de "A Defesa", em 1969 e logo repercutida nacional e internacionalmente, inclusive pela BBC de Londres...
Transformou a notícia em crônica, com textos didáticos, sempre preocupado em ressaltar as nossas potencialidades. Um alvissareiro, sempre, fosse na sua coluna de "Vanguarda", nas páginas do Diário ou nos informativos da ACIC, que produziu durante décadas. 

Antonio Miranda, padre Zacarias Tavares, mestre Vitalino, Luiz Torres, Manoel Rufino e Arrudinha. Convocado, Rio, 1960.
ANTONIO MIRANDA CAVALCANTI (assim mesmo, em caixa alta), se encantou.
Foi colher as últimas notícias no "Céuzinho de Caruaru", reencontrar Nelson Barbalho, Lycio Neves, Belísio Córdula, Godofredo de Medeiros, Gladys Cardim e tantos outros amigos da literatura e do jornalismo. 

Numa das muitas entrevistas que fez com Nelson Barbalho.
Espero que a cidade que tanto amou lhe seja grata, preservando a sua memória.

Caricatura de Antonio Miranda.

Meu abraço aos amigos familiares.

Walmiré Dimeron é escritor, historiador e museólogo

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