23/09/23

CHARQUE DO “PAULISTA” Uma história de amor, Um legado de uma vida. Por Ivaldo Batista

 


Caro cliente ou amigo

Peço a vossa atenção

Nos versos vou discorrer

Acerca de um cidadão

Eu sou Ivaldo Batista

Eu falo de um “Paulista”

Que cumpriu sua missão.


Nada sei de nutrição

Cardápio, gastronomia

Mas nas rimas do cordel

Tempero o prato do dia

Pra dá gosto e sabor

Lembrando deste senhor

Misturo bar e poesia.


Caruaru conhecia

O “Ômi” pelo sotaque

E as comidas gostosas

Que fazia foi destaque

Na fala um sudestino

Na culinária GERCINO

O destino lhe fez craque.


A você que vem na “CHARQUE

DO PAULISTA” vou contar

Como tudo começou

Vou tentar historiar

Esse homem fez história

Toda sua trajetória

Vou aqui compartilhar.


Do Restaurante e bar

Esqueça por um tempinho

Na mente vou viajar

Explico-te no caminho

GERCINO BRAZ DE ANDRADE

É filho de uma cidade

Chamada FREI MIGUELINHO.


Aí neste lugarzinho

Em dezesseis de agosto

No ano quarenta e sete (1947)

Os seus pais fizeram gosto

Ao nascer este menino

Puseram o nome GERCINO

Neste garoto disposto.


Vi alegria no rosto

Do pai JOÃO BRAZ DE ANDRADE

E na mãe ANA FRANCISCA

DA CONCEIÇÃO, a vontade

De cuidar do seu rebento

Era mais um no momento

Razão pra felicidade.


Esse casal na verdade

Com permissão do divino

Tiveram só nove filhos

Artur, Odílio e Firmino

Doralice, Nena e João

Jaime, Maria e então

O “Paulista” que é Gercino.


Esse pequeno menino

Na lavoura trabalhava

Na cultura do algodão

O garoto labutava

Até lidava com o gado

Trabalhou um bom bocado

Eu nem sei como agüentava.


Esse menino contava

Com a força de “Azulão”

Que andava lado a lado

Do “parêa Maranhão”

Puxando um carro de boi

Assim o GERCINO foi

Ganhando cada tostão.


Com tanta disposição

O rapaz era esforçado

No estudo não foi longe

Foi só alfabetizado

Quem sabe tanto trabalho

Pra guri é atrapalho

Na fase de aprendizado.


Amarrando outro arado

A um sonho se entregou

E com dezessete anos

A sua sina mudou

Buscando o seu ideal

Largou seu torrão natal

Pra SÃO PAULO viajou.


A lida rural ficou

O mundo interiorano

Voar buscando melhoras

É meta do ser humano

Foi sina de nordestinos

Traçarem os seus destinos

Num chão metropolitano.


Lá em solo paulistano

Por muitos anos ralou

Uns irmãos que foram antes

Gercino lá encontrou

Era jovem e sem estudo

Por lá trabalhou em tudo

Trabalho não lhe faltou.


Assim ele se virou

Foi lá para trabalhar

Vendeu lá na padaria

Limão para se bancar

Batalhou junto ao um irmão

Com muita disposição

Ajudou ele num bar.


Foi chofer particular

Atuou de motorista

De ônibus na BRISTOL

Num fusca azul, taxista

Também foi caminhoneiro

Na quitanda, quitandeiro

Feirante consta na lista.


Manteve o amor de vista

Guardado no coração

Quem sabe se alimentava

Da feliz recordação

De cada vinda e ida

Sua vida é MARGARIDA

Uma flor do seu torrão.


Sítios “Lavras” e “Gavião”

Para sempre se uniria

No ano sessenta e quatro (1964)

Um ao outro conhecia

Os olhares de carinho

Vistos em Frei Miguelinho

Esse amor vingaria.


Gercino trabalharia

São Paulo testemunhou

Com toda dedicação

Algum dinheiro juntou

Apesar de tão distante

Margarida amada amante

Com ele também sonhou.


Gercino foi e voltou

Quantas vezes nem contaram

No ano setenta e dois (1972)

Oito anos que contaram

Ela morando aqui

Ele veio pra se unir

E finalmente casaram.


As cartas testemunharam

Quem sabe foi mais de mil

Tantas vezes carregaram

Seus segredos meu Brasil

Gercino um rapaz galante

Pra ela foi cativante

Cortês e sempre gentil.


Caruaru assistiu

Com o padre JOÃO CABRAL

Seu Gercino e Margarida

Casarem na catedral

E depois desse casório

O bolo obrigatório

Foi em seu torrão natal.


Dai o novo casal

Morou noutra região

Foram lá pra Cavaleiro

Cidade Jaboatão

Por três anos peregrina

Lá no MORRO DA COLINA

Depois veio a decisão.


Pra SÃO PAULO eles vão

Decidiram ir morar

O ano é setenta e cinco (1975)

Seis anos lá vão ficar

Mas pensando em comum

No ano Oitenta e um (1981)

Decidiram retornar.


O casal vem se instalar

Ao retornarem do sul

No Maurício de Nassau

Bairro de Caruaru

Fundou aqui o seu bar

Com ele vai prosperar

O bar virou um baú.


Gercino virou menu

Com funções e habilidades

Nesse empreendimento

Revelou capacidades

Quem lá comeu ou bebeu

Quem freqüentou percebeu

Um homem e mil qualidades.


Virou point da cidade

Com a família ajudando

A mulher e os seus filhos

Estavam participando

Aqui Gercino criou

Esse bar e trabalhou

E assim foi prosperando


Ele administrando

O seu bar e restaurante

Parecia saber tudo

No comando foi brilhante

Sempre eu ouvi dizer

Hoje continua ser

O bar mais aconchegante.


O que foi determinante

Pra Gercino empreendedor

Não fez falta o pouco estudo

Parecia ser doutor

De tudo ele fazia

Do negócio entendia

Do seu sonho foi gestor.


Foi mestre e construtor

Engenheiro arquiteto

Foi sempre visionário

No proceder foi correto

Esse seu saber empírico

Para ser mais específico

Seu Gercino foi concreto.


Foi sempre um homem reto

Exemplar no tratamento

Homem simples e generoso

Vip no atendimento

Lidou com cliente e prato

Ele era o retrato

Chefe nato que apresento.


No estabelecimento

Por seu jeito de falar

Seus amigos ou clientes

Passaram a lhe chamar

Seu Gercino de “Paulista”

Já dei aqui essa pista

Pra você adivinhar.


Eu queria declamar

Esse cordel inspirado

No cheiro do chambaril

No sabor do charqueado

Naquela charque na brasa

No padrão o bar arrasa

Daí ser bem freqüentado.


O bar quando foi fundado

Começou neste local

Aqui na Rua São Paulo

Mesmo endereço atual

“A Campos Sales” de esquina

Gercino viu essa mina

Perto do Campo Central.


Investiu seu “capital”

O local era alugado

Bem pertinho do Estádio

Lacerdão inaugurado

Ocorrido em oitenta (1980)

Um ano após se apresenta

Gercino recém chegado.


O futuro é vislumbrado

O paulista viu distante

A chance em suas mãos

De ter seu bar restaurante

Para ganhar seu “cacau”

No Maurício de Nassau

O bairro mais elegante.


Bar aniversariante

É bonita tua história

Teus quarenta e dois anos

Estão vivos na memória

Do povo desta cidade

Que sabe da qualidade

E viu tua trajetória.


O “Paulista foi pra glória

Em dois mil e dezesseis

Mas seu sonho acalentado

Todo projeto que fez

Até hoje está mantido

Até mais desenvolvido

Eu vim mostrar pra vocês.


Os seus filhos somam três

LÚCIA, CARMEM e ALMIR

Elas duas de São Paulo

José Almir é daqui

Com sobre nome ANDRADE

Os três contam da saudade

Que aqui não sei traduzir.


Uma mulher que eu ouvi

A MARIA MARGARIDA

DE ANDRADE percebi

Ela é muito aguerrida

Entendi por que GERCINO

Combinou com o destino

Pra tê-la em sua vida.


Tão companheira na lida

Segura do seu papel

Não sei se lá na cozinha

Já fez um sarapatel

Mas ela nos surpreende

De versos ela entende

É leitora de cordel.


Procurando ser fiel

Mantendo a oração

O “Paulista” tem um neto

Pra dar continuação

Apresento o ENZO ANDRADE

Hoje novo na idade

Mas está em construção.


Quem sabe terá visão

E vocação nesta lida

E na continuação

Pelo bar ele decida

Seguir os passos do avô

UMA HISTÓRIA DE AMOR

UM LEGADO DE UMA VIDA.


Carmem é muito envolvida

Convencida por seu pai

Renunciou tantas coisas

Firme pra sempre hoje vai

Abdicou do seu sonho

Neste cordel eu suponho

Que nunca mais daqui sai.


Charque do paulista traz

Um relato pra você

Sabemos que as pessoas

Têm muito para dizer

Tantas histórias vividas

Experiências de vidas

Que não deu pra escrever.


Agora vamos comer

Carne de Sol ou pirão

Um frango, um arrumadinho

Capriche ai na porção

Garçom traga aí pra gente

Lembre-me o excelente

Paulista anfitrião.


Nossa charque com feijão

Faz do CHARQUE DO PAULISTA

Um restaurante singelo

Freqüentado por artista

E por todo cidadão

É imensa a relação

Difícil é fazer a lista.


Lembrando tanta conquista

Celebrando tal história

O cordel trouxe somente

Fragmentos em memória

Você que vem sempre aqui

Já pode agora curtir

Como parte dessa história.



Nenhum comentário: