Caro cliente ou amigo
Peço a vossa atenção
Nos versos vou discorrer
Acerca de um cidadão
Eu sou Ivaldo Batista
Eu falo de um “Paulista”
Que cumpriu sua missão.
Nada sei de nutrição
Cardápio, gastronomia
Mas nas rimas do cordel
Tempero o prato do dia
Pra dá gosto e sabor
Lembrando deste senhor
Misturo bar e poesia.
Caruaru conhecia
O “Ômi” pelo sotaque
E as comidas gostosas
Que fazia foi destaque
Na fala um sudestino
Na culinária GERCINO
O destino lhe fez craque.
A você que vem na “CHARQUE
DO PAULISTA” vou contar
Como tudo começou
Vou tentar historiar
Esse homem fez história
Toda sua trajetória
Vou aqui compartilhar.
Do Restaurante e bar
Esqueça por um tempinho
Na mente vou viajar
Explico-te no caminho
GERCINO BRAZ DE ANDRADE
É filho de uma cidade
Chamada FREI MIGUELINHO.
Aí neste lugarzinho
Em dezesseis de agosto
No ano quarenta e sete (1947)
Os seus pais fizeram gosto
Ao nascer este menino
Puseram o nome GERCINO
Neste garoto disposto.
Vi alegria no rosto
Do pai JOÃO BRAZ DE ANDRADE
E na mãe ANA FRANCISCA
DA CONCEIÇÃO, a vontade
De cuidar do seu rebento
Era mais um no momento
Razão pra felicidade.
Esse casal na verdade
Com permissão do divino
Tiveram só nove filhos
Artur, Odílio e Firmino
Doralice, Nena e João
Jaime, Maria e então
O “Paulista” que é Gercino.
Esse pequeno menino
Na lavoura trabalhava
Na cultura do algodão
O garoto labutava
Até lidava com o gado
Trabalhou um bom bocado
Eu nem sei como agüentava.
Esse menino contava
Com a força de “Azulão”
Que andava lado a lado
Do “parêa Maranhão”
Puxando um carro de boi
Assim o GERCINO foi
Ganhando cada tostão.
Com tanta disposição
O rapaz era esforçado
No estudo não foi longe
Foi só alfabetizado
Quem sabe tanto trabalho
Pra guri é atrapalho
Na fase de aprendizado.
Amarrando outro arado
A um sonho se entregou
E com dezessete anos
A sua sina mudou
Buscando o seu ideal
Largou seu torrão natal
Pra SÃO PAULO viajou.
A lida rural ficou
O mundo interiorano
Voar buscando melhoras
É meta do ser humano
Foi sina de nordestinos
Traçarem os seus destinos
Num chão metropolitano.
Lá em solo paulistano
Por muitos anos ralou
Uns irmãos que foram antes
Gercino lá encontrou
Era jovem e sem estudo
Por lá trabalhou em tudo
Trabalho não lhe faltou.
Assim ele se virou
Foi lá para trabalhar
Vendeu lá na padaria
Limão para se bancar
Batalhou junto ao um irmão
Com muita disposição
Ajudou ele num bar.
Foi chofer particular
Atuou de motorista
De ônibus na BRISTOL
Num fusca azul, taxista
Também foi caminhoneiro
Na quitanda, quitandeiro
Feirante consta na lista.
Manteve o amor de vista
Guardado no coração
Quem sabe se alimentava
Da feliz recordação
De cada vinda e ida
Sua vida é MARGARIDA
Uma flor do seu torrão.
Sítios “Lavras” e “Gavião”
Para sempre se uniria
No ano sessenta e quatro (1964)
Um ao outro conhecia
Os olhares de carinho
Vistos em Frei Miguelinho
Esse amor vingaria.
Gercino trabalharia
São Paulo testemunhou
Com toda dedicação
Algum dinheiro juntou
Apesar de tão distante
Margarida amada amante
Com ele também sonhou.
Gercino foi e voltou
Quantas vezes nem contaram
No ano setenta e dois (1972)
Oito anos que contaram
Ela morando aqui
Ele veio pra se unir
E finalmente casaram.
As cartas testemunharam
Quem sabe foi mais de mil
Tantas vezes carregaram
Seus segredos meu Brasil
Gercino um rapaz galante
Pra ela foi cativante
Cortês e sempre gentil.
Caruaru assistiu
Com o padre JOÃO CABRAL
Seu Gercino e Margarida
Casarem na catedral
E depois desse casório
O bolo obrigatório
Foi em seu torrão natal.
Dai o novo casal
Morou noutra região
Foram lá pra Cavaleiro
Cidade Jaboatão
Por três anos peregrina
Lá no MORRO DA COLINA
Depois veio a decisão.
Pra SÃO PAULO eles vão
Decidiram ir morar
O ano é setenta e cinco (1975)
Seis anos lá vão ficar
Mas pensando em comum
No ano Oitenta e um (1981)
Decidiram retornar.
O casal vem se instalar
Ao retornarem do sul
No Maurício de Nassau
Bairro de Caruaru
Fundou aqui o seu bar
Com ele vai prosperar
O bar virou um baú.
Gercino virou menu
Com funções e habilidades
Nesse empreendimento
Revelou capacidades
Quem lá comeu ou bebeu
Quem freqüentou percebeu
Um homem e mil qualidades.
Virou point da cidade
Com a família ajudando
A mulher e os seus filhos
Estavam participando
Aqui Gercino criou
Esse bar e trabalhou
E assim foi prosperando
Ele administrando
O seu bar e restaurante
Parecia saber tudo
No comando foi brilhante
Sempre eu ouvi dizer
Hoje continua ser
O bar mais aconchegante.
O que foi determinante
Pra Gercino empreendedor
Não fez falta o pouco estudo
Parecia ser doutor
De tudo ele fazia
Do negócio entendia
Do seu sonho foi gestor.
Foi mestre e construtor
Engenheiro arquiteto
Foi sempre visionário
No proceder foi correto
Esse seu saber empírico
Para ser mais específico
Seu Gercino foi concreto.
Foi sempre um homem reto
Exemplar no tratamento
Homem simples e generoso
Vip no atendimento
Lidou com cliente e prato
Ele era o retrato
Chefe nato que apresento.
No estabelecimento
Por seu jeito de falar
Seus amigos ou clientes
Passaram a lhe chamar
Seu Gercino de “Paulista”
Já dei aqui essa pista
Pra você adivinhar.
Eu queria declamar
Esse cordel inspirado
No cheiro do chambaril
No sabor do charqueado
Naquela charque na brasa
No padrão o bar arrasa
Daí ser bem freqüentado.
O bar quando foi fundado
Começou neste local
Aqui na Rua São Paulo
Mesmo endereço atual
“A Campos Sales” de esquina
Gercino viu essa mina
Perto do Campo Central.
Investiu seu “capital”
O local era alugado
Bem pertinho do Estádio
Lacerdão inaugurado
Ocorrido em oitenta (1980)
Um ano após se apresenta
Gercino recém chegado.
O futuro é vislumbrado
O paulista viu distante
A chance em suas mãos
De ter seu bar restaurante
Para ganhar seu “cacau”
No Maurício de Nassau
O bairro mais elegante.
Bar aniversariante
É bonita tua história
Teus quarenta e dois anos
Estão vivos na memória
Do povo desta cidade
Que sabe da qualidade
E viu tua trajetória.
O “Paulista foi pra glória
Em dois mil e dezesseis
Mas seu sonho acalentado
Todo projeto que fez
Até hoje está mantido
Até mais desenvolvido
Eu vim mostrar pra vocês.
Os seus filhos somam três
LÚCIA, CARMEM e ALMIR
Elas duas de São Paulo
José Almir é daqui
Com sobre nome ANDRADE
Os três contam da saudade
Que aqui não sei traduzir.
Uma mulher que eu ouvi
A MARIA MARGARIDA
DE ANDRADE percebi
Ela é muito aguerrida
Entendi por que GERCINO
Combinou com o destino
Pra tê-la em sua vida.
Tão companheira na lida
Segura do seu papel
Não sei se lá na cozinha
Já fez um sarapatel
Mas ela nos surpreende
De versos ela entende
É leitora de cordel.
Procurando ser fiel
Mantendo a oração
O “Paulista” tem um neto
Pra dar continuação
Apresento o ENZO ANDRADE
Hoje novo na idade
Mas está em construção.
Quem sabe terá visão
E vocação nesta lida
E na continuação
Pelo bar ele decida
Seguir os passos do avô
UMA HISTÓRIA DE AMOR
UM LEGADO DE UMA VIDA.
Carmem é muito envolvida
Convencida por seu pai
Renunciou tantas coisas
Firme pra sempre hoje vai
Abdicou do seu sonho
Neste cordel eu suponho
Que nunca mais daqui sai.
Charque do paulista traz
Um relato pra você
Sabemos que as pessoas
Têm muito para dizer
Tantas histórias vividas
Experiências de vidas
Que não deu pra escrever.
Agora vamos comer
Carne de Sol ou pirão
Um frango, um arrumadinho
Capriche ai na porção
Garçom traga aí pra gente
Lembre-me o excelente
Paulista anfitrião.
Nossa charque com feijão
Faz do CHARQUE DO PAULISTA
Um restaurante singelo
Freqüentado por artista
E por todo cidadão
É imensa a relação
Difícil é fazer a lista.
Lembrando tanta conquista
Celebrando tal história
O cordel trouxe somente
Fragmentos em memória
Você que vem sempre aqui
Já pode agora curtir
Como parte dessa história.
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