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30/10/23

Sorte ou bruxaria? por Dias Campos


Sabe aqueles dias em que a sorte parece bater à porta? Pois seu Osório sentiria dessa sensação à medida que lesse a revista Ilustração Brasileira.

Estamos na capital do império, no primeiro dia de janeiro de 1877. Os secos e molhados do seu Osório vão de mal a pior, e a única coisa que ainda o diverte é ler as crônicas do seu autor preferido, Manassés, pseudônimo de Machado de Assis, até então irrevelado.

A certa altura, o comerciante lê sobre as galerias recém-encontradas sob o Morro do Castelo.

Prossegue o cronista relembrando a antiga lenda de que lá haveria um “tesouro dos contos arábicos” abandonado pelos jesuítas quando foram obrigados a deixar o Rio de Janeiro por ordem do Marquês de Pombal. Essa história, ouvia-a desde criança, e cresceu com a convicção de que fosse verdadeira. Daí que aguardava os jornais divulgarem os artefatos que seriam encontrados; se bem que ficasse preocupado com o povo que acorreria ao local.

Ao final, Manassés questionava o fato de os jornais não mais publicarem notícias sobre as escavações, e mencionava a discussão que acontecia sobre a quem pertenceria o tesouro que fosse desenterrado, se ao Estado ou aos concessionários encarregados da demolição. E como discordasse dessas opções, afirmava que tudo era devido à arqueologia, cabendo ao Museu Nacional recebê-lo e preservá-lo. 

O silêncio dos jornais não causou estranheza a seu Osório. Afinal, nada como calar a imprensa para que essa notícia caísse no esquecimento, o que afastaria a pretensão do povo de se tornar mais um concorrente à partilha. 

- Eia! – animou-se o comerciante – Nem ao governo, nem aos apadrinhados, nem à posteridade. Será, sim, de quem chegar primeiro!

O tempo corria contra seu Osório, uma vez que bem sabia serem muitos os leitores de Manassés, o que, a seu juízo, ampliaria o leque de concorrentes à caça ao tesouro. 

Mas o negociante tinha uma carta na manga. Certa vez, quando se aproximava a hora de fechar, um rapaz surgiu esbaforido em seu armazém. Cobria-se apenas de ceroulas e implorava acolhida, pois estava sendo perseguido por um homem mal-intencionado. 

Seu Osório, que bem se lembrava dos seus arroubos na juventude, deduziu que a intenção do perseguidor nada tinha de má, pois quando o marido flagra a esposa em adultério, por certo que o sangue sobe-lhe à cabeça. Mas como o rapaz prometia retribuir a guarida tão logo alcançasse sua casa em segurança, o “compreensivo” comerciante deixou-o ficar.

No dia seguinte, o candidato a Don Juan cumpriu o que prometera. Retornou ao armazém, devolveu a casaca com que se esquivara, e ofereceu uma soma modesta como paga, pois, na condição de mero amanuense lotado no Ministério da Guerra, seus vencimentos não lhe permitiam dispor de muito mais. 

Seu Osório recusou a quantia sorrindo. Mas não deixou de garantir-se quanto a um futuro favor, caso viesse a precisar. 

Pois o momento chegara. 

Foi àquele Ministério, encontrou o jovem devedor, e pediu que conseguisse uma autorização que lhe franqueasse a entrada, à noite, nas galerias do Morro do Castelo.

Achando melhor não se inteirar sobre os motivos do pedido, o funcionário público disse que tinha um amigo que trabalhava no órgão ministerial a que todas as concessionárias estavam vinculadas. E como ele também lhe devia um favor, se seu Osório pudesse esperar um ou dois dias, cria que conseguiria a melhor das falsificações. E a mandaria entregar.

O tempo de espera não agradava ao negociante. Mas como afluíam aos secos e molhados mais credores do que fregueses, alternativa não teve senão a de aceitar a oferta.

Foram os dois dias mais vagarosos por que já passou seu Osório... Mas o mancebo agradecido soube honrar as calças e os surrados bigodes. E na manhã do terceiro dia, um moleque batia à porta do armazém.

De posse da autorização falsa, e já tendo decorado a “justificativa oficial” à sua visitação às altas horas, caso algum responsável o quisesse barrar, o comerciante partiu a cavalo rumo à Ladeira do Castelo.

A só apresentação do selo imperial foi suficiente para que ingressasse.

Munido de lampião, de alguns apetrechos para escavação, e da certeza de que a sorte realmente o tivesse acenado, seu Osório desceu aos subterrâneos feito garoto travesso a poucos metros da goiabeira proibida e carregada – ora ávido pelos frutos saborosos, ora pronto para chispar ante o menor perigo.

Andando com prudência, alcançou uma bifurcação. Agora era o momento de refletir. Sabia que teria pela frente muitas horas para procurar. No entanto, se nada encontrasse, não estava disposto a retornar nas noites subsequentes, pois correria o risco de que o embuste fosse descoberto, e de ser preso. Sendo assim, resolveu apelar para sua estrela. E tomou de uma pataca, e se concentrou para o cara e coroa. Só não lançou a moeda ao ar porque viu o símbolo dos jesuítas adornando a entrada do túnel direito. Ora, como se sentia envolvido pela mesma sensação que o fartou quando leu aquela crônica animadora, o futuro barão decidia-se pela rota “indicada”.

Depois de alguns minutos caminhando, seu Osório estacou, pois percebeu uma portinhola de ferro incrustada na parede à sua esquerda. Se seguisse adiante, talvez nada mais encontrasse além de breu. Assim, aproximou-se e iluminou o achado. Apurando a vista, distinguiu outro símbolo dos jesuítas gravado em baixo relevo no tijolo logo acima. E novamente era visitado por aquela estimulante sensação... Pois era mover o ferrolho, e se apoderar do conteúdo. E quem sabe não voltaria para casa carregando um crucifixo de ouro maciço?! 

O ferrolho rangeu ao ser movido. Quanto ao conteúdo... O que havia era um papelucho enrolado e enlaçado por fita vermelha, ambos com aparência de novos. Seu Osório desatou o laço e começou a ler: “Caríssimo. Se aqui chegaste em nome da arqueologia, sê bem-vindo e prossegue. De certo as glórias aguardam-te ao final. Mas se aqui vieste por causa da minha crônica, a quem caberiam as glórias senão a mim que tive todo esse trabalho? Neste caso, dá meia volta, bate as sandálias da cupidez, e cancela a assinatura da revista. – Todo seu. Manassés” 
E toda vez que aquela “sensação de sorte” insiste em acariciar seu Osório, ele persigna-se, separa um vintém às almas do purgatório, e desconjura o Bruxo do Cosme Velho.

27/10/23

Identidade e Diferença por um viés pedagógico. por Anderson Silva

Talvez seja a identidade por sua natureza um significado cultural socialmente atribuído. Trate de um conceito de representação obtido a partir de meios de significação, carregada de significantes e sistemas de signos que através destes, ganha sentido.

Sabe-se que a identidade não é uma essência, que essa se consolida de acordo com o meio, não sendo esta um fato dado naturalmente, caracterizando pela transcendência por ser um processo e estar diretamente ligada as relações de poder, temos então posto diante de nós o outro enquanto problema pedagógico. 

Não obstante, podemos submeter dentro de uma perspectiva pedagógica uma formação a partir de relações que promovam o contato de nossas crianças com as mais diversas formas de expressões culturais dos mais variados “diferentes” grupos culturais, o que provavelmente nos traria um olhar mais sensível no que diz respeito a relação de dominante/dominado e tolerante/tolerado.

Ao refletir sobre a identidade e a diferença com o olhar direcionado para uma prática de construção pedagógica, podemos entender a diversidade como parte do outro, e este outro como um laço entre nossas relações de diferença para com a sociedade, o que faz desse processo um momento de libertação e de reconhecimento que trará o outro como parte essencial para a nossa concepção do que provavelmente também somos nós.


09/10/23

Gustavo da Lua. por Michelly Pereira

O Artista Pernambucano Gustavo da Lua, é olindense e há mais de 20 anos integra a percussão da banda de Mangue Beat Nação Zumbi.

Artista versátil e com suas alfaias, possuí trabalhos gravados junto a Jorge Ben, Mano Brown, Otto, Gal Costa e Naná Vasconcelos.

Atualmente, além da Nação Zumbi toca no Los Sebozos Postizos (projeto do Nação) além de ministrar oficinas de percussão. 

Da Lua também integra a Banda Manguefonia projeto em comemoração aos 30 anos do Mangue Beat

Se já isso não bastasse, também tem um trabalho solo de muita qualidade, que conta com dois discos "RADIANTESUINGUABRUTOAMOR" e HOMÔNIMO, esse último lançado em 2019.

Aguardando ansiosamente pela oportunidade de ter um show desse grande artista aqui no Agreste! Aguardar e conferir!



02/10/23

Ranieri. por Michelly Pereira

 

Ranieri

O multiartista pernambucano, que vem se destacando com a arte visual, vivendo em Olinda, o artista retrata em seus trabalhos, com um colorido inovador, recortes dos confetes, fantasias e casarões da cidade que reside, bem como, a cultura pernambucana. Caruaru também não ficou de fora, com uma tela que representa o Monte Bom Jesus. Destaco ainda a obra do filme O Auto da Compadecida, famoso filme do paraibano Ariano Suassuna.

Arte do quadro O Auto da Compadecida de Ranieri.

Ranieri vem consolidando a sua carreira como artista de destaque na região metropolitana e em breve fará uma exposição em Caruaru onde obras estarão disponíveis. Particularmente vi algumas das obras e confesso que estou encantada, vale a pena conferir.



25/09/23

Karma Echoes. por Michelly Pereira


Hoje eu queria trazer um trabalho novo e muito bom que vem surgindo em Caruaru. Trazendo uma  fusão do New Metal, Rap/Trap, Hardcore toma uma nova proposta de música pesada e de atitude, que fala sobre à luta do dia a dia do indivíduo, seja consigo mesmo, bem como, seu papel nas relações interpessoais e na sociedade.

Nascida em Caruaru e fundada por Igor Santos e Victor Rossano, a banda conta com 5 integrantes, que são: Victor Rossano na bateria e vocais, Igor Santos no contrabaixo e vocais, Igor Melo nas pick-ups e sintetizadores e os seus dois vocalistas, Devon e Wallyson, com a ideia de juntar as influências de cada um e ser uma novidade nessa inovação do estilo musical. 

Ao mesmo tempo, sua identidade musical, conta com inspirações individuais de cada um de seus membros, à exemplo do Metal de Victor Rossano, o Hardcore de Igor Santos, somado ao Rap/Trap/Funk de Wallyson e o New Metal de Devon. A banda Karma Echoes fez o lançamento do seu primeiro Single nas plataformas digitais e do clipe, intitulado de “Welcome to the Mobb”, no dia 15 de Setembro de 2023. Vale a pena conferir!


18/09/23

Humberto Bonny e o Forro Swigado por Michelly Pereira


Compositor e cantor, instrumentista, toca violão, teclado, além de ser produtor musical, nascido em Bonito-PE, mas adotado por Caruaru-PE, o artista tem seis CD´s e um DVD, além de ser bastante conhecido através de suas composições, gravadas por artistas importantes da cultura popular. 

Com músicas nas vozes de Santanna o contador, Ademário Coelho, Jerimum, Azulinho e Azulão. Destaco que a banda Fulô de Mandacaru, venceu o programa Super Star (reality show exibido pela Rede Globo) com a música São João de Outrora composta por Bonny.

Com passagens em eventos importantes, como palco principal do São João de Caruaru, além de apresentação pelos estados da Bahia, São Paulo, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul, Humberto Bonny representa muito bem Caruaru, com o seu forró swingado.

11/09/23

MAIORIDADE DA ACAMUS por Malude Maciel

Foto de uma apresentação da ACAMUS na ACACCIL em 2019

A sede da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras – ACACCIL , à rua Quinze de Novembro, 215 – Caruaru – PE. recebeu no dia 18 de agosto uma grande avalanche de pessoas afeiçoadas à boa música, por ocasião da comemoração dos dezoito anos da ACAMUS.

Pelo significativo aniversário foi apresentada excelente seresta contando com voluntários, cantores, músicos e intérpretes que já fazem parte do movimento musical e animaram o evento com suas maviosas vozes e participação. Alguns nomes conhecidos nessa área garantiram o sucesso brilhantemente; como: Clóvis Gonçalves, Caetano, Marcone Porto, Rose, Rubem, Rosa, Ridelson, Marcos, Bosco e Paulo, Totonho, Ariosto e Graciete (atual Presidente da ACAMUS); além de excelentes músicos, como: Wellington Danda (violino), Fabiano e demais componentes do conjunto. O público não se fez de rogado e assim, o recinto esteve repleto. E, como de praxe, a função de locutor-animador esteve a cargo de Hélio Vasconcelos com experiência na função (mas eu o conheci como bancário da Cooperativa Banco Popular de Caruaru, como colega do meu pai). Nota dez à confreira Socorro Maciel dando todo apoio pela ACACCIL.

Afinal era uma homenagem da ACAMUS -Associação Caruaruense dos Amigos da Música, ao seu fundador, o médico Paulo Miranda Cavalcanti que esteve à frente dos trabalhos, por muitos anos, com sua equipe, desde 19/8/2004 realizando inúmeras serestas por várias praças de Caruaru, apoiado por diletos amigos (Walter Andrade, Ivan Galvão, etc.), seresteiros tradicionais e outros intérpretes de canções românticas, convidados especiais para cada ocasião. A semente plantada não feneceu, caiu em terra fértil e ainda hoje dá excelentes frutos, apesar da eterna ausência do Dr. Paulo que foi um baluarte dessa instituição, ao lado da sua amada Vandete Miranda.

Foto de seresta na ACACCIL em 2019. Ao centro, com violão, o saudoso Tony que nos deixou recentemente.

Mas, a turma não deixou a peteca cair, o movimento musical tem crescido e se mantido firme, mesmo diante de percalços como a terrível pandemia da covid-19 que ainda não foi totalmente debelada. O grupo é fiel aos seus princípios de preservar os antigos sucessos do cancioneiro popular, que são por demais aplaudidos na sociedade considerada da “melhor idade” e tem sido prestigiado em todos os momentos de suas apresentações, quer sejam ao ar livre, nas praças, ou em aconchegantes locais, como desta feita, devido também ao imenso frio de agosto. Mesmo com o tempo chuvoso e friorento não houve motivo para recuo, nem dos promotores, nem dos agraciados pelo alegre e venturoso evento.

Quero, pois, registrar meus parabéns pelo aniversário, desejar mais e mais sucessos a todos que fazem a ACAMUS e dizer que sou fã ardorosa de seus shows porque é algo quase que improvisado, mas sai tudo em perfeita harmonia como sempre se comporta a bela música revivendo clássicos de outrora para delírio daqueles que tanto apreciam o Bem e o Belo.

Todo o coral da ACAMUS executou, no início, a tradicional: “Luar do Sertão”, que já se tornou um hino das nossas regiões agreste/sertaneja.

Foi uma noite memorável entre sons instrumentais e vozes. Valeu muito a pena.


Eduardo Vasconcelos por Michelly Pereira

 

O Caruaruense Eduardo Vasconcelos iniciou a carreira artística ainda muito jovem aos 15 anos, aos 17, foi para o Recife integrar Os Trepidant's a banda de baile mais relevante do Nordeste na época. foi onde começou sua experiência com estúdios de gravação. Músico de excelência com várias participações nos trabalhos de Chico Cesar no projeto seis e meia, Banda Balatrônica do saudoso Marcílio Lisboa com apresentações no Rock in Rio Café no Rio de Janeiro, também participa dos projetos de  Elifas Júnior, Otto, Ortinho, Junio Barreto, Almério com quem gravou o um CD e o DVD Desempena vivo, Rogéria Dera, Isabela Moraes, Daniel Finizola, Faces do Subúrbio, Bira e o Bando e inúmeras gravações Cds e Dvds,

Eduardo Vasconcelos hoje além da carreira solo com voz e violão, íntegra também o projeto Sincopadamente Jacinto, do artista Herbert Lucena e Mel Nascimento e o Projeto Bira e o Bando o qual produziu o CD e é diretor musical do show.

07/09/23

7 de setembro: um dia para celebrar e refletir sobre o Brasil

Um texto crítico/analítico sobre o significado do feriado da independência e os desafios atuais do país

O dia 7 de setembro é uma data importante para o Brasil, pois marca a sua independência de Portugal em 1822. É um feriado nacional que abrange todo o território brasileiro desde 1949. Neste dia, muitos comércios e serviços não funcionam ou têm horários alterados.

Mas o que significa celebrar a independência do Brasil? O que essa data representa para nós, brasileiros e brasileiras, que vivemos em um país tão diverso e complexo? Como podemos aproveitar esse momento para refletir sobre os problemas sociais que afetam o nosso país e a nossa sociedade?

A independência do Brasil foi um processo histórico complexo e conflituoso, que envolveu diferentes grupos sociais e interesses políticos. Nessa ocasião, lembramos do grito de liberdade dado por Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga. Mas também refletimos sobre as lutas e as conquistas que se seguiram ao longo dos anos para construir uma nação mais justa e igualitária.

Por isso, neste 7 de setembro, além de celebrar a nossa história e a nossa identidade nacional, devemos também nos conscientizar dos desafios atuais e daqueles que ainda temos pela frente. Desafios como a preservação do meio ambiente, a redução das desigualdades sociais, a garantia dos direitos humanos, a promoção da educação e da saúde de qualidade, a defesa da democracia e da cidadania.

Esses são alguns exemplos de temas que merecem a nossa atenção e o nosso compromisso como cidadãos e cidadãs brasileiros. Não podemos nos esquecer de que a independência do Brasil não foi um ato isolado, mas um processo contínuo de construção coletiva. E que cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade nesse processo.

Portanto, neste dia tão especial, vamos celebrar o Brasil com orgulho e esperança, mas também com consciência crítica e participação ativa. Vamos valorizar as nossas conquistas, mas também reconhecer os nossos problemas. Vamos homenagear os nossos heróis, mas também lembrar dos nossos excluídos. Vamos cantar o nosso hino, mas também ouvir as nossas vozes.

Vamos fazer do 7 de setembro um dia para celebrar e refletir sobre o Brasil..

Feliz Dia da Independência!



05/09/23

Janduí por Michelly Pereira


Janduí é Caruaruense, autodidata toca violão desde a adolescência, artista completo tem passagens pelas bandas Alkimenia, banda 70mg (psicodelia Nordestina), Com passagens nos principais festivais no estado de Pernambuco, tais como, Abril Pro Rock, REC`beat, REC`n`PLAY, Agreste Pscodélico, Mulungu Rural (Macuca), Polo Azulão - São João de Caruaru, Capibaribe in Rock dentre outros.

Janduí que faz parte do coletivo CAIS do Agreste, (Coletivo de Artistas Independentes do Agreste), que integra diversas linguagens artísticas, e apresentam trabalhos, criados e executado pelo próprio coletivo.

Hoje com o desafio de se lançar em sua carreira solo, já que durante todo esse tempo, paralelamente compôs músicas e atualmente está no processo de pré-produção do seu primeiro disco solo. Esse álbum visual faz um resgate da importância da música brasileira em suas mais diferentes vertentes, uma efervescência artística oriunda dos tradicionais ritmos locais, como o forró, o baião, a ciranda, o xaxado e demais. O presente projeto busca assim, beneficiar culturalmente toda a região agreste fomentando a economia e o mercado musical local contemporâneo.



01/09/23

Missivamente... por Nelson Lima

Missiva vem do francês lettre, em cuja raiz latina está missus. É o mesmo que carta, bilhete.

Ah! Se cada palavra estrangeira fosse aportuguesada, e deixássemos de vez essa matutice de “ingleisar” nossos falares.

Malude nos reporta com esse texto, a um tempo recebíamos carta, e nela nos concentrávamos, ficávamos olhando a caligrafia e lembrando do(a) remetente. Cheirávamos, abraçávamos e sonhávamos, era um costume, diria, até poético.

Hoje é tudo por MissiZapp ou Missigram! E a gente mal ler alguma coisa e já se tem várias outras para ser conferida, isso quando conseguimos ler, pois é um tá de “o texto subiu” e a poesia de ler sumiu... Não têm mais valor e poder documental, como lembra Malude.

Ela pontua também - É muito gostoso encontrar aquela “cartinha” no baú. Hoje só encontramos nas “nuvens”, se assim a gente guardou lá.

E as relíquias que ela recebeu de Nelson Barbalho? Ah, quer saber tudo, leia no artigo que ela postou acessando aqui: MISSIVAS.

28/08/23

Benito Di Paula. por Ivaldo Batista



Se você quiser eu vou lhe mostrar

Esse cordel que fiz serve de aula

Escrevi sobre o Benito di Paula

Nesses versos pretendo te contar

Fui criança e pude apreciar

Escutar tão belas composições

Eu adoro suas lindas canções

Inteligentes e cheias de poesia.

O piano em perfeita harmonia

Ecoando em nossas gerações.

 

O nome dele é Uday Vellozo

Benito di Paula é esse artista

Cantor, compositor e pianista

Friburguense que nos faz orgulhoso

Ouvir seu SAMBA JOIA é gostoso

Ao cantar ele encanta multidões

Suas letras e interpretações

São lições pra gente no dia a dia.

Um piano em perfeita harmonia

Ecoando pra novas gerações.

 

Lá em Nova Friburgo ele nasceu

No dia Vinte e oito de novembro (28.11)

Ano Um nove quatro um, eu lembro (1941)

Duas guerras o mundo conheceu

O Rio de janeiro então nos deu

Com muita alegria esse guerreiro

Que pôs no samba, piano maneiro

Eu recordo com tanta nostalgia.

Um piano em perfeita harmonia

Com Benito sambista brasileiro.

 

Sua família era numerosa

Um total de quinze em sua casa

Uday logo cedinho bateu asa

Dono de uma voz esplendorosa

Teve uma carreira gloriosa

Numa rádio foi ser radialista

É violonista é pianista

Sabe tocar com toda maestria.

Um piano em perfeita harmonia

Com Benito otimista pela pista.

 

Um dos nomes da canção nacional

Que se revelou nos anos setenta

Além do tri no Brasil se comenta

Benito di Paula é genial

O seu samba é algo original

Não se pode fazer comparações

Ele agradava as multidões

Ouvir Benito é pura magia.

Um piano em perfeita harmonia

Faz a festa e nos enche de emoções.

 

Ele é um sujeito competente

É um músico intelectual

É um auto ditada sem igual

Um artista completo. Inteligente

A carreira exitosa não mente

Cada letra nos enche de emoções

Ouço ele em todas ocasiões

Fiz em versos sua biografia.

Um piano em perfeita harmonia

Ecoando pra novas gerações.

 

Como artista Benito iniciou

Sendo crooner no Rio de Janeiro

Começava a carreira um brasileiro

Pelos anos sessenta começou

Para Santos, São Paulo se mudou

E nas casas noturnas ele cantava

Nas noites paulistanas ele tocava

Caprichava bem no que ele fazia.

Um piano em perfeita harmonia

Com Benito de Paula cochichava. 

 

Pelos anos setenta ele gravou

Iniciou pela Copacabana

Ouvir Benito foi sempre bacana

Por muito tempo lá continuou

A fama nacional logo alcançou

Foi uma das grandes revelações

Conquistou muitas admirações

Sua carreira ainda contagia.

Um piano em perfeita harmonia

Que faz samba e atrai as atenções.

 

De sessenta e oito até agora

Benito di Paula está cantando

Das canções dele eu estou lembrando

E repasso aos jovens toda hora

Minha geração está indo embora

Mas espero deixar recordações

Canções que sirvam de inspirações

Quero mostrar aos jovens todo dia.

Um piano em perfeita harmonia

Ecoando e marcando gerações.

 

O Benito conseguiu misturar

O piano ao samba tradicional

Romantismo e arranjo musical

E o Jazz também pode combinar

Samba joia é o nome que se dar

O Benito é pai dessa criação

Não sei como se faz essa junção

Só um mestre, ou gênio criaria.

Um piano em perfeita harmonia

Melodia pra nossa audição.

 

Ataulfo Alves e Peres Prado

Borguettinho e Hermeto Pascoal

Egberto Gismonti deu aval

Vinícius de Moraes esteve ao lado

Por todos foi ele influenciado

Cartola e Jacob do Bandolim

Xavier Cugat e o Tom Jobim

E outros o influenciaria.

Um piano em perfeita harmonia

Eu queria que não tivesse fim.

 

Seu primeiro disco em setenta e um (1971)

Gravou Chico “Apesar de você”

E outros cantores MPB

No Brasil quando havia um zum zum zum

Benito nunca foi cantor comum

Letras lindas, grandes composições

Tantos mitos fizeram gravações

Que Benito di Paula escrevia.

Um piano em perfeita harmonia

Tem sentado um gênio das canções.  

 

Benito di Paula já comandou

O BRASIL SOM pela TV Tupi

Com Roberto ele pode competir

Na vendagem de disco disputou

No Brasil todo mundo observou

Benito foi destaque da nação

Admiro toda composição

As canções dele sempre eu ouvia.

Um piano em perfeita harmonia

Eu escuto com admiração.

 

O terceiro LP estourou

Em todas as paradas de sucesso

Se ele grava hoje ainda eu peço

Por que é bom tudo que já gravou

Meu Brasil com Benito já cantou

Ele já obteve toda glória

Sou feliz por que tenho na memória

As canções dele trazem alegria.

Um piano em perfeita harmonia

Eu sou parte dessa linda história.

 

Pela minha geração é querido

Em quase todas casas era tocado

Por Benito o Brasil foi conquistado

Em disco, foi o quarto mais vendido

Para tantos era o preferido

Vendeu mais do que sessenta milhões

Pra Roberto ele já fez canções

Que muito sucesso alcançaria.

Um piano em perfeita harmonia

Traz Benito aos nossos corações.

 

Em Setenta e cinco se apresentou

E brilhou lá no festival de Cannes

Vou botar os seus sucessos em “banners”

Mostrar os lugares onde cantou

Toda América latina aprovou

Em Paris foi a maior sensação

Benito di Paula é campeão

A minha geração toda lhe ouvia.

Um piano em perfeita harmonia

No meu tempo foi só exaltação.

 

Mais de 35 discos gravados

Compõem sua bela discografia

DVD’s, CD’s e disco eu queria

Muitos sucessos foram regravados

No mundo virtual compartilhados

Gerações inteiras pudem ouvir

Foi ouvindo Benito que eu cresci

Toda a minha geração curtia.

O piano em perfeita harmonia

Trouxe o som de Benito até aqui.

 

Benito di Paula é sensacional

Sabe disso quem tem opinião

Toca seu piano com o coração

Numa relação quase umbilical

Até sua alma é musical

Decantando os problemas reais

 E os dilemas existenciais

São expostos em sua melodia.

Um piano em perfeita harmonia

Ele tecla os nossos ideais.

 

Benito di Paula é nacional

É natural a sua vocação

É expressão maior do coração

Tornou-se cantor internacional

Entrou até no mundo oriental

Foi fazer show até lá no Japão

Estados Unidos em excursão

E no México se apresentaria.

Um piano em perfeita harmonia

Pelo mundo faz apresentação.

 

Como prêmio a vida te doou

És um mestre e tens uma escola

A Record te deu o “Chico viola”

Das turnês que você participou

No exterior você agradou

Maravilhosas apresentações

Cumplicidade com as multidões

Que beleza é essa parceria.

Um piano em perfeita harmonia

Faz nas teclas suas declarações.

 

Benito di Paula faz canções belas

Nota mil para criatividade

Revelou a sua capacidade

Fez as trilhas sonoras de novelas

Todas as canções com letras singelas

O piano lhe traz inspirações

Compreende as suas intenções

Benito e piano é parceria.

Um piano em perfeita sintonia

Essa dupla sempre traz emoções.

 

De Gonzaga, Benito se lembrou

Ao cantar: Meu amigo “Charli Brau”

Mostrou sua admiração real

Ao rei do baião ele exaltou

Em “Viva meu padim” ele cantou

Esse gesto traz mil declarações

Respeito a fé e religiões

Com Gonzaga foi essa romaria.

Um piano em perfeita harmonia

Ecoando em todas as versões.

 

O gol que Luiz Gonzaga marcou

Lá em “Assobiar ou chupar cana”

Vibrou a torcida pernambucana

Quando Benito di Paula narrou

Todo o nordestino aí sonhou

Se juntou a torcida brasileira

O Nordeste é a torcida inteira

Com Benito a galera vibraria.

Um piano em perfeita harmonia

Na canção também nos exaltaria.

 

Eu vi o seu piano exaltar

Luiz Gonzaga e sua sanfona

Instrumento que foi a sua dona

Tão chorona bastava ele tocar

Agradeço a Benito por cantar

E tocar o povo pernambucano

Foi tão lindo ouvir o teu piano

E a canção que nos engrandecia.

Um piano em perfeita harmonia

Era apologia com tom urbano.

 

Gonzagão não custou agradecer

Ouço a sanfona branca e seu grito

Respondeu assim: “Como é bonito

Benito, poetas como você”

És um homem erudito dar pra ver

Por tuas letras e composições

Acompanhei as tuas gravações

O Brasil adorava e aplaudia.

Um piano em perfeita harmonia

Com você toca os nossos corações.

 

Benito di Paula é mesmo incrível

Ele veio do Sul aqui pra riba

Decantou a querida Paraíba

Isso mostrou o quanto é sensível

Ele para mim já era visível

Quando compôs a letra “Pau de arara”

Refletindo o sertão que coisa rara

Guanabara e Benito em parceria.

Um piano em perfeita harmonia

Revelando um drama de forma clara.

 

Em Campina Grande você cantou

Encontrou Xico Nóbrega um dia

Lá no hotel Village ele dizia

Alguma coisa que te emocionou

O jornalista me testemunhou

Que você fez a mais bela canção

Em “sanfona branca” tem emoção

Tradução melhor ninguém conseguia.

Um piano em perfeita harmonia

Homenageando o rei do baião.

 

O Benito di Paula é majestoso

Continua com seu antigo brilho

Faz seu show hoje ao lado do filho

Ele diz Rodrigo é valioso

O irmão de Benito. Ney Vellozo

Acompanha desde setenta e seis (1976)

Ao lado de Benito ele já fez

Tantas turnês que juro , eu não sabia.

Um piano em perfeita harmonia

Com a participação desses três.

 

Pra Benito serpentina e confete

Gravou: “ESSA FELICIDADE É NOSSA”

Depois de algum tempo ele remoça

No ano de dois mil e dezessete (2017)

De Benito di Paula sou tiete

Sei de muitos fãs e de coleções

Acompanho as suas excursões

Teu fã clube é gigante já sabia.

Um piano em perfeita harmonia

Com sanfona e zabumba nos sertões.

 

O Benito com essa turnê sai

Com Rodrigo Vellozo. seu menino

E também com o trio Virgulino

E ainda a Fernanda Takai

E Benito com essa turma vai

Fazendo todas apresentações

Faz novos lançamentos e edições

Tem gente que não viu, mas gostaria.

Um piano em perfeita harmonia

Traz de volta tantas recordações.

 

Ele é espetacular cantor

Traduzindo no cantar a verdade

Ao falar traduz com simplicidade

Mesmo sem ser formado é doutor

20 anos ficamos sem sabor

Mas quem tem valor é sempre esperado

Um tesouro desses não é trocado

Por  qualquer coisa hoje sem valia.

Um piano em perfeita harmonia

Sintonia presente e passado.

 

As suas canções jamais esqueci

Na memória ainda continua

“AMIGO DO SOL, AMIGO DA LUA”

“MULHER BRASILEIRA” e “MENINA” ouvi

Na canção “MODIFICAÇÃO” me vi

Refleti toda minha mocidade

É Benito um cantor pra toda idade

Minha geração todinha ouvia.

Um piano em perfeita harmonia

Vem trazendo samba e felicidade.

 

Com o karaokê sempre cantei

A “BELEZA QUE É VOCÊ MULHER”

Também “DO JEITO QUE A VIDA QUER”

ÄLÉM DE TUDO”, “AH! COMO EU AMEI”

“COMO DIZIA O MESTRE” pensei

A lição provoca reflexões

Refleti muitas das situações

Nosso mundo sempre nos desafia.

Um piano em perfeita harmonia

Nos ajuda nessas reflexões.

 

Ouço Benito di Paula assim

Cantando: “TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR”

Ouvir “NÃO PRECISA ME PERDOAR”

“CHARLIE BROWN” e “RETALHOS DE CETIM”

ÖSSO DURO DE ROER” não tem fim

Em “BANDEIRA DO SAMBA” vi lições

Os desenganos e desilusões

Todas dificuldades que havia.

Um piano em perfeita harmonia

Faz Benito vencer as provações.

 

Em recente entrevista eu lhe vi

Se sentindo triste e desrespeitado

Por que tudo que havia conquistado

Com suor, sua casa em Morumbi

O metrô pretende passar ali

Demolir, a lei diz que é solução

Atropelando esse cidadão

Um Estado carrasco e ardil.

O piano que alegra meu Brasil

E Benito merecem atenção.

 

Eu vou encerra aqui o cordel

Meu papel considero terminado

Falei de um cantor iluminado

Pra você Benito tiro o chapéu

Procurei nesses versos ser fiel

A tua bela história quis contar

Registrar no folheto popular

Tua vida pra mim é referência.

No piano você é excelência

Senta e toca, Benito vem cantar.