
Filho do eminente repentista Ivanildo Vila Nova, o declamador Iponax Vila Nova é uma das maiores autoridades do universo da poesia popular nordestina. Além de desenvolver um profícuo trabalho na construção poética, ele promove uma série de eventos em prol da cantoria – a exemplo do famoso festival Estado Contra Estado, que anualmente arrasta públicos cada vez maiores para a cidade de Campina Grande-PB. Além disso, Iponax apresenta há 12 anos ‘O Universo dos Versos’, pela Rádio Caturité (1050 AM), comprovadamente o programa radiofônico de maior audiência da Princesa da Borborema. Nesta entrevista, ele comenta um pouco do legado do poeta repentista Louro Branco, falecido na semana passada, e traça um panorama acerca do cenário hodierno da poesia popular do Nordeste, avaliando a necessidade de conciliar a qualidade poética com a valorização pecuniária. Confira:
Recentemente, você afirmou que Louro Branco era o maior repentista do Brasil. Qual a importância dele para a cantoria nordestina?
Louro Branco transitou bem como cantador e poeta... e foi espetacular como repentista. Acredito que quis fazer diferente, levando seu talento pra o lado mais jocoso. Foi importante pela quantidade de versos bons e por levar mais alegria pra o povo da cantoria.
Existem diferenças entre o poeta, o cantador e o repentista? Se sim, quais são?
Sim. Poeta coloca mais essência nos versos.
Cantador tem maior conhecimento e sabe empregar isso na cantoria.
Repentista muda o rumo do verso no caminho e tem um raciocínio mais rápido.
É possível verificar uma grande quantidade de cantadores jovens iniciando no mundo da cantoria. Há diferenças entre o improviso produzido pela nova geração e o das gerações anteriores?
Existe sim. Os novos cantadores já chegam mais preparados, como mais conhecimento e facilidade em relação às gerações anteriores. A internet, o transporte... tudo disponível. Cantam mais que os seus antecessores cantavam com a mesma idade.
Como você avalia a cantoria enquanto mercado? É possível conciliar a qualidade poética com a atividade econômica no ambiente cultural?
Olha só, a cantoria e os seus segmentos, de fato poderiam estar melhor. Os cantadores têm uma grande parcela de culpa (muitos abrem mão da qualidade) e isso reflete negativamente.
Promovo com êxito, porque acredito que a cantoria é um excelente produto. É perfeitamente possível, conciliar a promoção e a criação, sem perder a qualidade.
De que maneira você analisa o cenário da poesia popular com relação a segmentos distintos da cantoria - como o cordel, a declamação, o aboio e a embolada. Há um fortalecimento nessas áreas?
A cantoria sempre será a cereja do bolo. O fator Viola pesa muito. Todos os demais segmentos têm sua importância, mas a cantoria está no andar um pouco mais alto.
Tudo se fortaleceu, a mídias sociais atestam isso, são milhares de grupos e blogs...
Mas repito, a cantoria leva vantagem sempre.
Quais são os seus projetos profissionais para 2018?
Um novo CD, oficinas em mais cidades paraibanas, mais um FENOGER (Festival de Repentistas da Nova Geração), um Estado x Estado maior ainda, e aumentar mais um dia por semana no ‘O Universo dos Versos’, meu programa de rádio na Caturité em Campina Grande.
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