HEREDITÁRIO

junho 28, 2018


Simplesmente sensacional e digno de ser prestigiado diversas vezes


Nada é mais angustiante que presenciar a morte de um membro da família e tentar lidar com perdas assim é bem complicado, principalmente quando o sentimento de dor não aparece da forma imaginada pelas partes envolvidas. Algumas  pessoas se permitem mergulhar na dor, outras sentem alívio diante da perda e a grande maioria procura apoiar os que mais sente a ausência de quem morreu, mas ainda sobra espaço para prestarmos atenção nas pessoas que não sabem o que sentir ou demonstram dificuldade em interpretar suas emoções. O filme trabalha bem esta questão, mostrando claramente o quanto é difícil transitar no universo das emoções e como ele pode ser perigoso, complexo e aterrorizante.


 De início, a trama mostra que após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas e mesmo depois da partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para  escapar do infeliz destino que herdaram.  Tenso, misterioso, fantástico e com uma bela atmosfera sombria,  Hereditário consegue criar no espectador diversas formas de interpretar a morte, principalmente porque introduz o assunto tendo o cuidado  de explorar dramas familiares e sentimentos adversos provocados por perdas e como as relações podem afetar o comportamento das pessoas, possibilitando  a  história do diretor e roteirista Ari Aster, se encaminhar para um terror psicológico tanto para os protagonistas como para os espectadores.


A sensação que temos é de experimentarmos conflitos entre alucinações e a realidade dos personagens, ora acreditamos ser real as circunstâncias apresentadas, ora nos tornamos céticos e julgamos ser um delírio neurótico dos personagens, muito embora todos os fatos narrativos nos leve a acreditar na presença também de uma entidade diabólica, mas  que não deixa a trama focada somente no lado sobrenatural. A presença aparente desta entidade desenvolve a perspectiva do terror a partir dos elementos mostrados diante das circunstâncias vivenciadas por cada personagem.

Com todos esses elementos, o filme ainda surpreende pela ousadia e comprometimento com um roteiro bem delineado e sem clichês, que não deseja assustar de graça, mas que ainda assim consegue chocar mais do que qualquer outro terror que se utiliza de fortes cenas de violência e mortes macabras. O filme busca causar a sensação do desejo de discussão para que o espectador decida se tudo que os personagens passam são fatos imaginados, desde os elementos sobrenaturais aos dramas familiares, ou se alguns são  vítimas de perturbações  mentais. Contando com um excelente elenco, a trama ganha vida devido ao comprometimento de cada um e vale ressaltar aqui que a Annie (Toni Collette) é uma personagem complexa e totalmente convincente devido sua performance  onde mostra todo o terror psicológico e   incômodos vividos e difícil de acreditar, gera emoções durante o longa, ou melhor, sentimentos inquietantes onde transitou nos mais diversos que um filme de terror exige e com total competência nos presenteia com isso, ou seja,  mágoas, ressentimentos, dúvidas, medos, raiva, fraquezas e frustrações. Charlie (Milly Shapiro) estreia neste filme e já cativou desde o primeiro instante em que aparece em cena,  pois ficamos encantados com sua personagem e também pela brilhante atuação.  Peter (Alex Wolff), estava bem colocado e deu conta do recado ao dar vida a seu personagem onde teve um excelente desempenho e  Steve (Gabriel Byrne) nos entregou tudo que seu personagem exigia em cena, duvidando da influência das seitas, da presença da médium e da invocação dos mortos, descobre tarde o destino sinistro que a matriarca reservou para seus descendentes.

Interessante observarmos que todo o filme construiu um terror dentro da mente do espectador quanto na projeção em si. Tal ambição já está  consagrada de forma brilhante devido a estética , fotografia, narrativa  precisa e trilha sonora que completaram todas as sequências de cena, cuidadosamente produzidas para entregar um verdadeiro ambiente aterrorizante e sufocante até  chegar no desfecho do último ato,  conseguindo impactar, divertir e conquistar de vez o público. Longe de ser um entretenimento vazio, Hereditário nos entrega uma trama completa e complexa, conseguindo com sustos, nos estimular a refletir sobre diversos assuntos, alguns até com aprofundamento filosófico. É simplesmente sensacional e digno de ser prestigiado  diversas vezes.
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PROGRAMA CLUBE DO FILME

Neste Sábado, a partir das 13h, vai ao ar pela Rádio Cultura do Nordeste AM 1130, o PROGRAMA CLUBE DO FILME. Apresentado por Edson Santos e Mary Queiroz, aproveita os folguedos juninos, que já estão em seu encerramento e também a COPA DO MUNDO, que acontece até 15 de julho, para  realizar um programa especial e diferente, onde abordará os dois temas: FILMES COM TEMÁTICA NORDESTINA E FUTEBOL! Quais filmes representam um pouco de nossa cultura nordestina? O cangaço, também faz parte dessa Cultura? E futebol, quais filmes abordam esse tema?  Quais gêneros,  podemos destacar? Tudo isso e muito mais com a participação de Gilberto Hazan, Felipe Queiroz, Sérgio Ulisses, Marcello Augusto.
Acesse e confira: radioculturadonordeste.com.br
 
UNIVERSO NOGG 2018


Neste domingo, o1 de julho de 2018, acontece na Fafica, a sexta edição do Universo Nogg, das 10h as 20h. O evento, já consagrado, em Caruaru e região, reúne um público admirador da Cultura Pop:  Nerds, Otakus, Geeks e Gamers, onde os mesmos terão oportunidade de participar de uma programação selecionada especialmente para os amantes deste universo. Ingressos a venda na Banca Terceiro Mundo e The Dragon Shop. Para mais informações acesse o link e confira: https://www.facebook.com/universoNOGG/

ESTREIA DA SEMANA



A família de super-heróis preferida está de volta em Os Incríveis 2. Mas, dessa vez, Helena é quem assume o holofote, deixando Roberto em casa com Violeta e Flecha para conduzir a heroica rotina de uma vida 'normal'. É uma transição difícil para todos, que se complica ainda mais levando em conta que a família ainda não sabe dos superpoderes do bebê Zezé. Quando o Hipnotizador, um terrível vilão traça um plano perigoso e brilhante, a família e Gelado precisarão encontrar um jeito de trabalhar juntos novamente - o que é mais fácil de dizer do que de colocar em prática, mesmo todos eles sendo realmente incríveis.


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