22/08/18

O Festival que transformou a vida em arte por Jénerson Alves


Uma tela exposta no 1º Festival Pró-vida de Caruaru, ocorrido no domingo 19, chamou a atenção do público. Nela, duas cenas estavam retratadas. De um lado, um embrião sob a foice da morte, ladeado de uma ampulheta. Do outro lado, tartarugas-marinhas saindo dos ovos. Na parte superior central, uma balança com pratos desiguais. “Com este quadro, pretendo mostrar que a balança da justiça está pendendo para o lado errado, ao considerar mais importante a vida dos ovos da tartaruga-marinha do que um embrião humano”, explicava o artista Luzimar Alves, quando indagado pelos presentes. 

Aos 45 anos de idade, Luzimar Alves da Silva é um artista cujo trabalho precisa ser melhor conhecido na Capital do Agreste. Nascido em Belém do São Francisco, município do sertão pernambucano, reside em Caruaru desde 1989. A aptidão para o desenho surgiu aos 09 anos de idade, mas foi amadurecida após formar-se em Desenho e Arte Plástica, no Sesc Caruaru, em 1997. Além dos desenhos, escreve roteiros de filmes e peças de teatro, também participando como ator e diretor. A despeito da verve artística, sua profissão é mecânico industrial de lavanderia. Na sua vida, a dureza das máquinas e a sensibilidade das tintas e telas bailam entre si. “Participar do 1º Festival Pró-vida de Caruaru foi um momento de grande honra e alegria. Foi desafiador fazer a tela, exclusivamente para o evento, mas meu objetivo foi provocar a reflexão nas pessoas”, disse. 
Além de Luzimar, outros artistas que participaram do evento, no dia 19, transformam a vida em uma verdadeira obra de arte. Pintores como Wanessa Silva, de Recife, mas também músicos da estirpe de Onildo Almeida, Joanathan Richard, Carlos Firmino, Carlos Alves e Rosaura Muniz. Pedro Poeta, Joseane, Maria Eduarda, Esther Mendes e Nerisvaldo Alves abrilhantaram ainda mais a programação. O garotinho Yudji Hirakawa, de apenas 08 anos, encantou a plateia com sua performance circense de malabarismo. A psicopedagoga Eugênisa Azevedo provocou a plateia com reflexões pertinentes ao assunto. As professoras Amanda Rocha e Sabryna Thais, organizadoras do evento, deram um grande exemplo de cidadania e conscientização, ao lançar luzes sobre um tema tão importante por intermédio da ludicidade artística. 

Diante de tanta beleza – que envolveu o Teatro Prazeres Barbosa/Espaço Nerisvaldo Alves –, uma pergunta pairava no ar: “e se o direito à vida tivesse sido negado a estes artistas?”. Já pensou um mundo sem Onildo Almeida? Implicitamente, ainda, podemos nos questionar: quantos “Onildos” podem ficar sem existir, caso a liberação do aborto aconteça no Brasil? Sabemos que este assunto voltou à pauta nacional recentemente, após o Psol solicitar ao Supremo Tribunal Federal a legalização irrestrita do aborto até a 12ª semana de gestação. Para os sectários deste pensamento, o assassínio intrauterino de crianças é a solução para livrá-las dos possíveis problemas da vida. 
É imprescindível que a sociedade abra os olhos para esta questão e opte pela vida. Que as gestantes em situação dramática tenham condições de garantia de vida e dignidade, para si mesmas e para seus filhos, ao invés de condenar inocentes à morte antes mesmo de nascer. 
A síntese deste sentimento pode ser expressa em uma estrofe improvisada pelo cantador Ednaldo Silva, durante o 1º Festival Pró-vida: 
“Me alegro vendo os guris 
Pastorando ovelha mansa, 
Pois enxergo a esperança 
Do futuro do país, 
Mas quem abre a boca e diz 
Que o aborto é a saída, 
Não passa de um homicida, 
De um louco, ou um delinquente. 
Venha lutar com a gente 
Nesta luta pela vida!”

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