DESEJO – Parte II por Nelson Lima

novembro 05, 2018

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Na crônica anterior publicada em oito de outubro, começo dizendo que: “Em suma desejo é uma vontade muito forte de possuir algo”. Aí tem algumas pessoas que usam esse recurso Divino, como desculpa para possuir outra pessoa. Tem aqueles que pensam logo em sexo.

Pesquisando, achei uma matéria na Revista Super Interessante, 2016, onde a neurologista Rosângela Petta fala: “É interessante notar que nem sempre essa empolgação neurológica está associada ao sexo. Pode-se ficar excitado pelo trabalho, pelo sabor de uma comida, pelo som de um show de rock e até por idéias tiradas de um livro sobre filosofia. Nesses casos, são essas mesmas substâncias que estão sendo mobilizadas”.

O problema pode está na falta de controle do desejo. Dizem ainda os neurologistas que quando vivenciamos uma situação de prazer, nosso cérebro libera, na área tegmental ventral (VTA), um neurotransmissor chamado dopamina. Os neurotransmissores são substâncias químicas que enviam informações para as células cerebrais. ... Córtex pré-frontal: ajuda a focar sua atenção naquilo que está te dando prazer. Isso faz parte da criação de Deus.


Sem querer ser religioso me reporto mais uma vez às citações bíblicas.


Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira (deseja) a minha alma por ti, ó Deus! Salmos 42:1.

Esse é um suspiro comum a todos. Quem não deseja Deus, não é verdade?

Porventura, fitarás os olhos naquilo que não é nada? Porque, certamente, isso se fará asas e voará ao céu como a águia. Provérbios 23:5


Vejo nessa fala uma dica/advertência, todos nossos desejos “voarão ao céu”, daí é bom examinar todos nossos desejos, para quando chegarem aos céus serem aprovados.

“fitará os olhos naquilo que não é nada?” Essa parte me fez lembrar de Tonho e Rosa, se você não lembra ou não leu, dê uma lida na crônica do dia oito de outubro.
“Sentou e propôs trabalho para os dois, até arrumarem coisa melhor, podiam ficar ali. Ambos aceitaram”... Arrumou um quarto para Tonho e outro para Rosa. 

Queriam ficar os dois num quarto só, mas Dioclécio tinha outros pensamentos.
O dia amanheceu e Tonho já estava na ativa preparando e arrumando as mesas do bar. Rosa preparava as primeiras refeições e Dioclécio se agradando dos serviços dos dois, vez outra uma olhadela em Rosa. Ele tentava ficar uns momentos a sós com ela, mas Tonho sempre de olho. Foi aí que Dioclécio teve uma ideia: afastar Tonho por várias horas do recinto! Toda segunda feira o bar não abre, é dia só de descanso e limpeza e de compras para sortimento de produtos. Dioclécio deu essa tarefa para Tonho, que ficou todo orgulhoso pela confiança do patrão. Eis que chega a segunda, e lá vai Tonho para a beira da estrada esperar o pau de arara passar. E se foi dando adeus para Rosa. Não era nem 5h da manhã e rosa ainda ia tomar banho. Após o banho e com roupas composta, sem mostrar barriguinha nem coxas, pois usava um vestido um pouco acima do joelho. 

Estava muito cheirosa e linda como sempre. Na insistência dos olhares de Dioclécio o cérebro começou a se alterar. Todos nós temos um coquetel de libido prontinho para explodir. Dioclécio ficou imaginando coisas e os estímulos foram aflorando e chegando ao cérebro, que com suas áreas específicas foram recebendo tais informações que são buscadas nos arquivos de coisas agradáveis guardadas no sistema límbico, região também ligada aos instintos. Nesse momento o córtex cerebral analisou o relatório e tomou a decisão de liberar as substâncias que vão excitar o sistema nervoso. E pasme, o sistema nervoso se excita em milésimos de segundo! Ou seja, milhões de neurônios derramam substâncias euforizantes no cérebro. E para aquela circunstância dos dois estarem só era o mesmo que lenha na fogueira. Nessa fase os neurônios começam a atuar em parceria.

Dioclécio de propósito resvalou no corpo de Rosa, ambos se olharam e ele pediu desculpa, ela ingenuamente ignorou. Mas um neurotransmissor do grupo dos aminoácidos excitatórios fez seu serviço direitinho. Seu papel é simplesmente excitar o próximo neurônio. Naquele momento de olhos nos olhos, entre Dioclécio e Rosa, a acetilcolina ajudou Dioclécio a fixar a atenção em Rosa e agiu nas terminações nervosas periféricas, levando à ereção e à produção de suor. A respiração ficou ofegante e ele esfregou uma toalhinha no rosto. Isso já foi ação de outro neurotransmissor, a noradrenalina. Daqui pra frente...


(A quantidade de laudas já passa do habitual de crônica, daí, paciência, faremos o desfecho na segunda 12, até lá então).

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