26/11/19

Exclusivo: Teatro Lício Neves é contemplado no FUNCULTURA GERAL

As chuvas de maio de 2017 comprometeram toda estrutura do teatro
Um sonho chega ao fim, finalmente as obras do Teatro Lício Neves (TEA) vão ser concluídas graças ao fato de ter sido contemplado pelo FUNCULTURA GERAL. O Teatro foi atingido pelas fortes chuvas de maio de 2017 quando foram danificados parte do telhado, madeira, paredes, piso e palco do local. O teatro teve que ser completamente construído.

Foi iniciado em caráter de urgência uma campanha para ajudar a reerguer o teatro
Na manhã de hoje, a Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) anunciaram o incremento de R$ 15,68 milhões para a produção cultural, por meio do Edital Geral do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). O TEA foi contemplado dentro desse projeto.

O desafio de reerguer o teatro foi abraçado por muitos, mas os recursos não foram suficientes para cobrir todas as despesas.
Nosso blog ouviu Fábio Pascoal, filho do casal fundadores do TEA (Arary Marrocos e Argemiro Pascoal), que nos falou como será a finalização deste projeto:

"O Teatro Licio Neves irá se consolidar como o 1° teatro multiconfiguracional do interior de Pernambuco, com arquibancada móvel, possibilitando a ressignificação da hierarquia entre publico e atuantes. A sua concepção foi baseada na experiencia vivida em outros teatros, principalmente nos Teatros Hermilo Borba Filho e o Marco Camarotti, ambos em Recife, que são referencias como espaços democráticos e experimentais para a produção teatral em Pernambuco."

Fábio Pascoal e Arary Marrocos, e equipe trabalhando.
Mas antes mesmo de ter acontecido aquela tragédia, já existia um planejamento para adequar o teatro para o futuro.

"Agradecemos a todos os parceiros/parceiras que contribuíram para concretizar esse sonho e possibilitar que o teatro em Caruaru continue a dar bons frutos. A proposta de requalificação do Teatro Lício Neves tem sido debatida e pensada ao longo dos últimos 10 anos, porém só iniciada após o comprometimento de sua estrutura em consequência das fortes chuvas que se abateram sobre a Cidade, no inverno de 2017." Nos contou Fábio, "O projeto de arquitetura vai contemplar as expectativas do teatro em nossa contemporaneidade, mantendo-se como sede do TEA, mas que ao mesmo possa receber trabalhos de grupos de teatro e dança, principalmente locais." Detalhou Fábio.

Com os resultados da campanha, uma parte do teatro já foi erguida. Essa etapa importante adiantou muito a obra.
O termo multiconfiguracional, "é neologismo para designar esse tipo de espaço, foi cunhado por Sidnei Cruz, assessor técnico de teatro do Sesc (Departamento Nacional), como nos relata Robson Jorge: Foi dele que ouvi pela primeira vez o termo multiconfiguracional. O termo era usado para designar o tipo de espaço que até então eu chamava de teatro com múltiplas configurações. Chamava-o assim porque as designações anteriores referidas no meio teatral sobre esse tipo de espaço, como multiuso ou experimental, não faziam jus às novas características incorporadas, enfatizando configurações pré-projetadas e de montagem imediata e sem improvisos. A nova palavra multiconfiguracional exprimia melhor ainda o tipo de espaço e pegou, sem deixar de estar associada à experimentação e ao multiuso". Explica.

Durante 12ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, em agosto, já foi possível utilizar o local ainda em acabamento



O NOVO LÍCIO NEVES

Os espaços ditos multiconfiguracionais são geralmente recintos de pequeno ou médio porte, o que facilita as transformações propostas. Basicamente são espaços únicos (palco/plateia), com pé direito elevado e sem separação física, tal como no teatro de arena. Normalmente são dotados de instalações cenotécnicas fixas, e sistemas modulados de equipamento e mobiliário cenotécnico móveis e desmontáveis, que permitem a criação das diferentes "configurações" palco/ plateia. Complementam o projeto os indispensáveis espaços de apoio (foyer, bilheteria, camarins, cabine de controle, depósitos, salas técnicas etc.). 

Esse tipo de espaço com conceito de flexibilidade, durante muito tempo foi sinônimo de espaço livre, de pequeno ou médio porte, com equipamentos e mobiliário precários ou inadequados, ou até mesmo sem equipamento, porém, com o advento das novas tecnologias que foram incorporadas possibilitou a passagem gradativa de uma tecnologia baseada na madeira e na mão de obra artesanal para uma tecnologia primeiramente semi-industrializada - na primeira fase, "a herança de uma época” -, e depois para outra praticamente toda industrializada. Assim, as arquibancadas de madeira foram substituídas pelas metálicas moduladas e com rodas, que depois também evoluíram para os equipamentos industrializadas. Os velhos praticáveis de madeira foram substituídos por modernas plataformas desmontáveis automaticamente. Assentos e demais equipamentos se modernizaram do ponto de vista de conforto, segurança e funcionalidade, permitindo a rápida transformação do espaço de maneira prática, ou seja, o multiconfiguracional “semi-pronto", como um jogo de armar.

HISTÓRIA


O Teatro Lício Neves foi inaugurado em 16/07/1974, e tendo sua origem a partir da garagem do casal Argemiro e Arary, fundadores do TEA, sendo tema para o documentário “Quando as Garagens Virarem Teatros”, produzido pela Fundaj, roteirizado e dirigido pelo dramaturgo Luiz felipe Botelho. O seu nome é um homenagem a este importante poeta pernambucano, nascido em Belo Jardim e radicado em Caruaru, autor do romance Rua do Alto S/N, transposto para o palco com produção do TEA e encenação de Argemiro Pascoal, em 1972.

O seu valor histórico e simbólico é relevante, seja pelo protagonismo da sua atividade que ao longo de 45 anos de existência tem sediando as ações desenvolvidas pelo TEA, seja por sua proximidade geográfica com Escola De Referencia Em Ensino Médio Nicanor Souto Maior, com 1500 alunos, o que facilitou e potencializou  o estabelecimento de parcerias entre ambas as instituições, possibilitando que o alunos daquela instituição se deslocassem até o Teatro Lício Neves para participarem de atividades artísticas, fazendo parte da tarde curricular do ano letivo.


FUNCULTURA GERAL

A partir de fevereiro de 2020, 248 projetos, de todas as linguagens artísticas contempladas no edital, receberão incentivo de acordo com o valor pleiteado. CLICK AQUI e confira o resultado. Outros caruaruenses como o Festival Viva Vitalino (Preggo e Yone Amorim), CONCEITUALTO: EXPOSIÇÃO COLETIVA ITINERANTE EM CERÂMICA DO ALTO DO MOURA RAÍZES SILENCIADAS (Amanda Samara e Humberto Botão), também foram contemplados.

Em cada categoria, foram aprovados projetos de fruição, que é a oferta de um produto artístico diretamente para o aproveitamento estético do seu público; projetos da área de pesquisa (fase preliminar de uma ação cultural) ou formação (oficinas, palestras, seminários ou qualquer processo para formar fazedores de cultura). Neste edital, a linguagem que mais aprovou projeto foi a de Cultura Popular (38), seguida por Dança (30), Patrimônio Cultural (29), Teatro (28), Artes Plásticas (27), Fotografia (24), Literatura (23), Circo (16), Artesanato (13), Design e Moda (8), Gastronomia (5), Artes Integradas (4) e Ópera (3).

Até o final do ano, a Fundarpe irá lançar mais cinco editais: Funcultura Geral 2019/2020, Música 2019/2020, Microprojeto Cultural 2019/2020, além de dois editais do Funcultura do Audiovisual (edições 2018/2019 e 2019/2020). O lançamento de mais um edital do Audiovisual, até o final deste ano, é uma excepcionalidade ocorrida em função do impasse da Ancine. Juntos, os cinco editais irão representar um incentivo de quase R$ 40 milhões em projetos culturais, em 2020.

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