12/02/20

POR QUE JOVENS CRISTÃOS SE LANÇAM NA VIDA ACADÊMICA E MUDAM A FÉ? por Eliel Batista*




Mudar a fé, não necessariamente é uma coisa ruim. Nunca mudar pode ser um mal terrível.

Um pastor deu uma declaração de que o jovem cristão se "desvia ao estudar":

Disse que jovens muçulmanos vão para as universidades e nada muda na crença e nos valores deles, entretanto, para ele, jovens evangélicos brasileiros se contaminam e voltam duvidando de suas crenças, de seus valores, de Deus e se opondo aos pastores.

O pouco que sei sobre islamismo, percebo que ele não apresenta, tal qual o protestantismo, que sua fé é intelectual e racionalista.

Por outro lado, o jovem cristão é ensinado que sua fé é racional; que "crer é também pensar", que o ser humano tem que usar seu conhecimento porque é uma dádiva divina.

O jovem cristão estuda com o pressuposto da fé racional e para validar essa fé, mediante o mundo, precisa compreender as ciências, analisar a lógica, escolher o que faz sentido e com essa racionalidade agregada, expressar sua fé.

É nos estudos acadêmicos que ele está no ambiente próprio para perceber a contradição "crente" de defender uma "fé racional", entretanto na prática rejeitar a razão científica.

Que ele percebe a falácia de seus líderes espirituais que lhe envenenaram com a ideia de que uma teoria científica seria algo como uma opinião de alguém e não fruto de constatações e estudos profundos.

Ele constata que seus líderes mentiram para ele, ao tentarem desfazer da verdade científica com uma ideologia do uso indevido e inadequado da Bíblia.

Mentiram para ele a respeito da relação entre fé e ciência.
Porque o modo como lhe ensinaram apresentava a Bíblia como um livro científico, que ela seria um livro atemporal e isento de cultura e com concepções exatas a respeito de tudo o que existe e que a ciência é inimiga da fé porque não apresenta o mundo do mesmo modo.

Mentiram com a ilusão de que no Brasil há perseguição contra os cristãos e que evangélico não tem espaço e que todos querem "fazer sua cabeça".

Mentiram quando lhe convenceram de que pensar é pecado, que discordar do pastor traz maldição e dizem que isso é status quo divino e não admitem que isso não passa de doutrinação antideus.

Mentiram quando seus pares usaram da falácia para o enganar e assim ele acabou acreditando que defender quem sofre é coisa de inimigos da fé e direitos humanos é coisa de gente do mal.

Mentiram quando puseram ele contra sua própria família ensinando-o a ter fanatismo religioso travestido de intelectualidade e por causa disso, ele em vez de amar se opôs, brigou, não participou de comemorações e tornou-se indiferente à dor de seus familiares somente para defender moralismos inócuos aos quais chamavam de santidade.

Mentiram quando disseram que precisavam da política para fazer o Reino de Deus, mas apenas o usavam como massa de manobra para assumirem o poder sem se importarem com a opressão contra os que mais sofrem.

Mentiram quando o convenceram que igreja não pode falar de política e no entanto pastores vivem na promiscuidade política, na mais espúria relação com o poder político e econômico.

Enfim, jovens cristãos vão para a universidade, mudam suas crenças e se opõem aos pastores não porque professores mal intencionados "fizeram sua cabeça" ou o doutrinaram, mas porque passaram a compreender que jamais deveriam ter acreditado naquilo que lhes roubou uma verdadeira vida de fé racional. Descobriram que na verdade quem os colocou sob doutrinação, alheios à realidade com cara de "racional", foram seus líderes religiosos em quem confiaram inteiramente.

Esses jovens, abrem os olhos e sim, se opõem à religiosidade perversa. Não se opõem ao Cristo, porque de verdade não há o que dizer de Jesus.

Abriram os olhos na universidade e passaram a concordar com o profeta Miquéias:

"seus sacerdotes ensinam visando lucro, e seus profetas adivinham em troca de prata. E ainda se apóiam no Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós. Nenhuma desgraça nos acontecerá”.
Miquéias 3:5

*Eliel Batista
Administrador de Empresas, Consultor de RH, professor de Teologia no Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, Filosofia, Escritor, Ex-Presidente da Casa de Transformação Betesda - MG, atuando nas áreas de reinserção sócio educativo de egressos do sistema penal, saúde e recuperação de adictos e de educação infantil integral. Pastor- Igreja Betesda/SP, Supervisor dos Ministérios de Casais e Família, Música, DAC-Crianças.

Nenhum comentário: