- Resista!!!
Sempre sorrindo, era essa a palavra que Anastácio proferia diante de uma adversidade.
Anastácio não resistiu a cobrança implacável do tempo, que minou lenta e implacavelmente a sua saúde, enquanto lutou bravamente pelos últimos lampejos de vida.
Hoje, no “Ceuzinho de Caruaru”, houve grandes festas: à porta, Comissão de Honra engalanada: Álvaro Lins; João, Elysio e José Condé; Nelson Barbalho; Vitalino; Cacho de coco; Austregésilo de Athayde; Cacilda Santos; Sinhazinha; Pe. Zacarias Tavares; José Rodrigues de Jesus; Elias de Oliveira Lima; Dom Paulo Hipólito; Celso Rodrigues; Dr. Vieira; Dr. Silva Filho, Major Sinval; Tabosa de Almeida; comendador Neco Afonso; Celso Galvão; Henrique Pinto e Pedro de Souza, dentre outros ilustres que se acotovelaram para saber quem era o novo morador recepcionado por três batalhões de bacamarteiros comandados pelo major Emídio do Ouro, o capitão Eliel Azevedo e o mestre Cassimiro Pedro ao som do pífano mágico de Sebastião Biano com sua roupa de algodão branco neve.
- Abram alas pra Anastácio, o “Eterno Prefeito” !, gritou Chico Porto, emendando logo um longo discurso, gastando todos os adjetivos possíveis e imagináveis para o ilustre caruaruense.
Findo o discurso, Anastácio desfilou com os olhos marejados em passarela vermelha, ao longo da qual estavam enfileiradas e tremulantes, várias bandeiras de Caruaru que o prof. Matias tratou de hastear na véspera. A Nova Euterpe e a Commercial, fundidas numa só, regidas pelo prof. Machadinho, tocaram juntas, o “Hino Oficial do Município de Caruaru”.
Antonio Miranda e José Carlos Florêncio anotaram tudo, olhando por cima do ombro de Pissica, fotógrafo oficial do evento.
O dia foi longo.
Essa imaginária cena, bem que poderia ser real, como foi o cuidado, a atenção e o respeito que Anastácio dispensou a essas personalidades.
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Walmiré e Anastácio |
Como eternizaremos o seu legado?
Lembrando, contando e recontando que ele continuará sendo uma das grandes referências em administração pública, com sua hombridade, espírito de governança e zelo com a coisa pública.
Que dificilmente será ultrapassado como o prefeito que mais construiu escolas e o que mais respeitou a cultura da "Terra" e do "País" de Caruaru.
Que chamava as professoras de "professorinhas" e a elas dedicava atenção especial.
Que, aos sábados, abria o seu gabinete na Prefeitura para receber feirantes, sem a menor cerimônia ou burocracia.
Que construiu a Casa da Cultura José Condé, a 2ª projetada no Brasil especificamente para esse fim, defendendo a sua construção com a frase: - A Casa da Cultura será o cérebro de Caruaru!
Que conquistou para Caruaru a área do Parque 18 de Maio e sonhou ali instalar um moderno “Centro cívico”, espécie de cidade administrativa.
Que transformou a casa do Mestre Vitalino em Casa-Museu.
Que afirmava sempre e sempre: - O Alto do Moura é um relicário sagrado da arte.
Que incentivou e apoiou o teatro caruaruense.
Que instituiu oficialmente a bandeira e o hino de Caruaru.
Que afirmava que os engraxates da Rua da Matriz eram “Patrimônio social de Caruaru”.
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O hasteamento primeiro da Bandeira Oficial de Caruaru, no Giradouro major Clementino - 18.05.1972. |
Que já oitentão, idealizou o Instituto Histórico de Caruaru, sendo o seu primeiro presidente.
Que exercitou o amor telúrico à exaustão, repetindo o nome CARUARU aos quatro ventos.
Que contribuiu como pesquisador para a elucidação de fatos relevantes como a chegada do trem à Caruaru (lembro dele vibrando ao telefone: - Walmiré, descobri hoje o nome do maquinista da locomotiva “Baronesa”, que inaugurou a nossa linha férrea. E, mais adiante, emocionado, descrevendo a beleza que deve ter sido quando o trem foi saudado por simples operários às margens dos trilhos, gritando e saudando o progresso com pás e picaretas acima das cabeças...
Que conservou amigos fiéis pela vida inteira.
Que, ao reclamar do esquecimento de algum benemérito caruaruense, repetia: -Esquecer a obra de um homem, é sepultá-lo duas vezes.
Que construiu moradas fúnebres a Vitalino, Ludugrero e Pe. Zacarias Tavares.
Que foi um homem de fé inabalável, servindo incondicionalmente à Igreja.
Que fez muito mais, e que esses feitos não cabem aqui.
Que Caruaru não se amesquinhe e possa lhe ser grata ainda por muitos e longos anos.
Resista, memória de Anastácio, resista!!!
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