A palavra falada possui um poder inspirador, capaz de mover
multidões. Portanto, é exigido de todo orador que sua palavra seja sólida e
agradável. A oratória é uma arma sublime, que pode promover a paz e a fraternidade
entre os homens. O didatismo, a inflexão da voz, os objetivos definidos, são
elementos essenciais para o cumprimento de tal propósito. Sermões morais ou
doutrinários, panegíricos e práticas doutrinárias são alguns dos textos
pertencentes à sagrada oratória.
No caso do orador cristão, as características exigidas aos
demais oradores devem ser ainda mais superiores. Requer que o predicador seja
um estudioso ávido das Sagradas Escrituras, bem como apresente uma conduta
proba, com boa reputação entre as pessoas. Os pensamentos precisam estar em
consonância com a Bíblia, apresentados com clareza. A dicção deve ser graciosa,
com adornos equilibrados. Ademais, a unidade é essencial na formulação de um
sermão, assim como em toda composição literária.
De acordo com Santo Agostinho, o orador sagrado deve propor
três coisas: que a verdade seja conhecida, conhecida de uma maneira agradável,
e que arraste após si a vontade – “Ut veritas pateat, ut veritas placeat, ut
veritas moveat”. O Bispo de Hipona adotava este plano de composição em seus
próprios sermões. Acerca deste assunto, sublinha a doutora em Letras Zélia de
Almeida Cardoso na obra A Literatura Latina (Martins Fontes, 2013):
“Os ‘Sermões’ de Santo Agostinho, igualmente compilados após
a exposição oral, demonstram que o autor possuía conhecimentos de retórica.
Embora bastante singelos – e nisto se distanciam bastante das cartas e dos
tratados por ele escritos –, mostram que o orador pretendia atingir o grande
público mas deixam adivinhar a primorosa formação de quem os pronunciou” (pág.
160).
A pregação sempre foi um aspecto central na fé cristã. As
cerimônias dos primeiros cristãos eram baseadas nas palavras doutrinárias do
Senhor Jesus. Orações, cantos, leituras e homilias sempre tiveram como base a
conservação das palavras do Messias. Este foi o embrião da literatura cristã –
primeiramente em grego, a exemplo das epístolas de São Paulo Apóstolo – bem
como em latim – a partir da tradução da Bíblia no segundo século e de obras de
autores como Victor e Apolonius.
Um predicador cristão precisa ter em mente a teologia, a
religião prática, o legado e a história da Igreja como elementos modeladores de
sua eloquência. Tudo isso precisa ser aplicado ao contexto do auditório. Caso
contrário, seria preparar um manjar para uma plateia sem fome.


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